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Noticias de Jornais e Revistas Sobre DST

Pegue aqui estas noticias zipada se quiser

RÚSSIA COMEÇA A ENFRENTAR EPIDEMIA DE AIDS

Fonte: Jornal do Brasil

Data: 20/06/97

 

Moscou - "Faça sexo mas use camisinha". Essa é a mensagem de lançamento da primeira campanha contra AIDS destinada aos jovens russos, publicada em jornais. O Ministério da Saúde tenta conter a doença que está tomando proporções epidêmicas e a alternativa mais viável são as campanhas de prevenção, já que o governo não tem dinheiro para comprar os caros remédios usados contra a AIDS.

O número de contaminados pela AIDS cresceu assustadoramente no ano passado e no início deste ano. Nos primeiros cinco meses de 1997, o número de pessoas oficialmente infectadas aumentou 80% e no ano passado os casos excederam o total dos nove anos anteriores, desde que o primeiro caso de AIDS foi diagnosticado- na extinta União Soviética.

Os especialistas da organização Médicos Sem Fronteiras estimam que cerca de 800 mil pessoas devem estar contaminadas na Rússia no ano 2000, em uma população de 150 milhões. Atualmente existem cerca de 4.494 pessoas notificadas com a doença, mas os médicos acham que o número deve ser até três vezes maior.

A forma de contaminação de AIDS na Rússia mais comum é através de agulhas contaminadas usadas por viciados em drogas injetáveis, chegando a 76%. Mas os médicos acreditam que a transmissão por via sexual é a que mais está crescendo, por causa do aumento de casos de sífilis. A doença soma 400 mil vítimas no país, já que as doenças sexualmente transmissíveis aumentam as chances de contaminação.

ECONOMIA E OUTROS NEGÓCIOS

Fonte: DIÁRIO DE BELO HORIZONTE

Data: 19/06/97

 

As mulheres casadas - ou com parceiros fixos - estão pagando caro por confiar demais nos seus companheiros, nesses tempos de AIDS. Segundo as pesquisas, o grupo no qual a contaminação mais cresce é justamente de mulheres nesta faixa. Por Isso, o Ministério da Saúde vai lançar no segundo semestre deste ano uma campanha destinada ao público feminino. A preocupação é com as mulheres de baixa renda, que não têm acesso à informação. O preservativo feminino vai ser testado no segundo semestre para ver a aceitação das mulheres, o que já representa um grande passo.

TERAPIA CONTRA O VÍRUS HIV DEVE COMEÇAR MAIS CEDO

Fonte: O Globo

Data: 25/06/97

 

As pessoas infectadas pelo vírus HIV devem começar uma terapia agressiva de combinação de drogas o mais cedo possível, sem esperar mais o surgimento dos primeiros sintomas da AIDS. A recomendação foi feita ontem por especialistas americanos. Segundo Charles Carpenter, presidente da seção dos Estados Unidos da Sociedade Internacional de AIDS, os novos dados informam que o melhor a fazer é iniciar o tratamento precocemente, ao contrário do que se recomendava anteriormente.

Até hoje, as diretrizes dos médicos eram de que o paciente deveria esperar o aparecimento dos sintomas da doença, a carga viral atingir níveis altos e as células do sistema imunológico diminuírem para, só então, partir para uma terapia mais agressiva.

Os especialistas acreditavam que, assim, não se correria o risco de o vírus criar resistência rapidamente aos remédios mais fortes e esses deixassem de surtir o efeito desejado.

Aderência total ao tratamento é imprescindível - Em artigo publicado na revista da Associação Médica Americana, os médicos declararam que é importantíssimo que os pacientes se comprometam com o tratamento, estando conscientes sobre os seus efeitos colaterais. É necessária uma aderência durante toda a vida ao tratamento, que é imprescindível, caro, complexo e altamente tóxico, afirmam os especialistas.

As pessoas infectadas pelo HIV devem ser extremamente cuidadosas para não abandonar prematuramente a nova terapia declararam os médicos.

A terapia mais eficaz contra o vírus HIV continua sendo o chamado coquetel de medicamentos, que é constituído de um inibidor de protease e dois inibidores análogos, incluindo o AZT.

SAÚDE LIBERA O COQUETEL CONTRA AIDS PARA CRIANÇAS

Fonte: Estado de Minas

Data: 24/06/97

As crianças mineiras portadoras do HIV, o vírus da AIDS, receberam ontem uma boa notícia. É que a Secretaria de Estado da Saúde está iniciando a distribuição dos chamados inibidores da protease - medicamentos que fazem parte do "coquetel" para o tratamento da doença. As drogas já estão disponíveis nos dois serviços que atendem às crianças aidéticas no Estado, o Centro Geral de Pediatria e o ambulatório Orestes Diniz - ambos em Belo Horizonte.

De acordo com dados oficiais, existem no Estado cerca de 200 crianças com AIDS, e o tratamento deve beneficiar entre 25% a 30% delas, com indicação para usar os medicamentos. Em princípio, o fornecimento será suficiente para cobrir a demanda, garante o coordenador do Programa Estadual de DST-Aids, Marco Antônio de Ávila Vitória. Mas é bem provável que na prática, o número de crianças doentes seja maior.

A indicação do tratamento seguirá os critérios definidos pelo Ministério da Saúde, durante a reunião no início do mês. Em princípio, só devem usar os medicamentos as crianças que jà manifestem sintomas clínicos da AIDS, ou que apresentem índices muito baixos dos linfócitos CD-4 - são as células de defesa do organismo destruídas pele HIV

De acordo com Marco Antônio Vitória, as crianças são mais sensíveis à infecção pelo HIV-; que os adultos. Isso significa que elas adoecem mais e mais rapidamente. Entre 25% e 30% delas, calcula o infectologista,. apresentarão sintomas da AIDS nos dois primeiros anos de vida. Nos casos mais "lentos", a doença só, manifesta por volta dos 5 anos. Por isso, o uso dos anti-retrovirais é tão importante. Ao contrário dos adultos, que recebem os medicamentos em cápsulas (o que torna mais penoso o tratamento), as crianças terão acesso a xaropes e pós para serem adicionados à comida. O gosto, adianta Vitória, não é muito bom. Mas pode significar a diferença entre a vida e a morte.

DROGA INJETÁVEL CONTAMINA 50% DOS USUÁRIOS

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 23/06/97

 

Metade dos, UDIs (Usuários de Drogas injetáveis) estão contaminados pelo vírus que provoca AIDS e 71% deles costumam compartilhar seringas em grupo.

Isso é o que mostra pesquisa desenvolvida de 94 a 96 com o apoio do Ministério da Saúde pela psicóloga Regina Bueno nas cidades de Santos (SP), Rio (RJ), Salvador (BA), ltajaí (SC), Corumbá (MT), Cuiabá (MS) e Goiânia (GO).

Essas são as oito cidades com maior índice de transmissão de AIDS por droga injetável no país. A pesquisa é a primeira a traçar um perfil dos UDIs no país, população estimada em 500 mil dependentes. É exatamente o uso de seringas em grupo o responsável maior pela transmissão da AIDS entre os dependentes de drogas injetáveis.

Pelo menos 40 pessoas que trabalham em saúde pública no Brasil se reuniram, em Brasília do dia 16 de junho até anteontem para tratar do assunto, que é uma das prioridades na área e um dos mais difíceis de ser abordado em público.

os números da epidemia no país não deixam dúvidas. A contaminação pelo vírus HIV via seringas compartilhadas por UDIs ocupa o segundo lugar nas formas de transmissão da doença (21,3% dos 103 mil casos notificados até março deste ano) e em alguns municípios, como ltajaí (SC), cidade de maior incidência de AIDS do país, é responsável por 70% dos casos.

No Estado de Santa Catarina, aliás, essa forma de transmissão já responde por 40% dos casos.

A dificuldade maior para conter a propagação da doença entre os UDIs e seus parceiros sexuais é justamente chegar até essa população, à margem da sociedade e duplamente vítima de preconceito. "É preciso trabalhar a população em geral para que não use drogas e é preciso reduzir o uso, mas, para os que não deixam de usá-las, a troca de seringas pode ajudar a quebrar a cadeia de transmissão", diz Pedro Chequer, coordenador nacional do programa DST/AIDS.

Na pesquisa coordenada por Bueno, foram ouvidos 664 usuários de drogas injetáveis. Eles têm baixíssima renda, idade média de 28 anos, 80% são homens, 84% sabem ler, 67% já foram presos mais de uma vez e apenas 33% já procuraram tratamento.

A idade média do primeiro pico é, em geral, 18 anos. Os pesquisados já usavam a droga havia pelo menos 11 anos. Os UDIs injetam cocaína nas veias em média quatro vezes por dia, 12 dias por mês. Mas a pesquisa mostra também que a heroína já é utilizada por 17% dos UDIs do Rio e 13% dos de Salvador, sendo responsável por 10% do total de drogas injetáveis.

O total de contaminados pelo HIV é 50%, mas esse índice chega a 64% em Santos. Apenas 13% deles usam camisinha com o parceiro.

Chequer destaca o papel que os Estados, municípios e organizações privadas devem assumir no combate a esse tipo de transmissão da doença e cita um número alarmante. No período que vai de 1982 a 1986, 1,6% dos municípios de 50 mil a 200 mil habitantes tinham casos de AIDS por uso de drogas. No período de 1991 a 1994, 42% o tinham.

"0 problema começou nas grandes cidades e depois aumentou muito nos outros centros. Está acompanhando a tendência de interiorização da epidemia no país", diz Chequer.

Legislação dúbia - Os municípios enfrentam dificuldades para implantar os chamados programas de redução de danos porque a legislação sobre o assunto é dúbia. Porto Alegre e Salvador desenvolvem programas com o apoio do Ministério da Saúde. Em São Paulo, uma ONG troca as seringas dos usuários, mas ainda de forma incipiente e com dificuldades.

Uma nova legislação sobre política de drogas para o país, já aprovada pela Câmara e que deve ser, votada no Senado em agosto, pode favorecer essa troca de seringas.

Para discutir essas experiências, avaliar os programas desenvolvidos e encontrar novos caminhos, os organizadores do encontro sobre drogas e AIDS convidaram um especialista internacional no assunto, o autraliano Alex Wodak,.

ENTIDADE DISTRIBUI SERINGAS EM SÃO PAULO

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 23/06/97

 

A troca de seringas pelos usuários de drogas não é adotada em SP como parte da política municipal e estadual do controle da AIDS mas é feita há 20 meses de forma incipiente pela Apta (Associação para Prevenção e Tratamento da AIDS).

O "kit nervoso" ou "kit baque seguro", como foi batizado o estojo com três seringas, água destilada, algodão e preservativos é distribuído aos usuários de drogas injetáveis por agentes comunitários. O problema maior, segundo coordenadores do projeto, é convencer os usuários da importância do preservativo. Outra dificuldade é que os UDIs não aceitam andar com o kit, com medo de que ele possa servir para identificá-los.

O programa é desenvolvido principalmente nas zonas central e leste da cidade e atinge cerca de 50 usuários. Segundo a Apta, considerando amigos, parceiros e familiares, tomam contato com a filosofia da prevenção cerca de mil pessoas.

Os defensores do programa de troca de seringas partem do princípio de que ela não é responsável pela existência e consumo da droga, assim como o copo não responsável pelo alcoolismo.

Para eles, é fundamental a aprovação da nova legislação sobre drogas. O Ministério da Saúde, por meio do Projeto de Drogas, financia seis linhas de trabalho, da pesquisa às atividades de prevenção de contaminação do HIV entre os UDIs, passando pelo treinamento de pessoal, tratamento e reinserção de dependentes. Os recursos somam R$ 10 milhões. (BB)

PROGRAMA ATENDE 105 DEPENDENTES DO RS

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 23/06/97

 

Em Porto Alegre, são trocadas por mês cerca de 750 seringas, como parte da política municipal de controle de doenças sexualmente transmissíveis.

Antes do programa, de cada dez seringas encontradas na rua, oito estavam em varões e esgotos (a água dos esgotos é usada para misturar a droga). Hoje, nas áreas onde o projeto está implantado, praticamente não há seringas nas ruas.

Os UDIs (usuários de drogas injetáveis) atendidos pelo projeto têm em média entre 25 e 40 anos de idade. Há 35 usuários constantes cadastrados e outros 80 que recorrem à troca eventualmente. A troca efetiva começou no final de outubro. Foram 24 seringas. Em março, o número chegou a 748. O projeto, que tem um custo de USS 100 mil, deverá ter uma duração mínima de 20 meses e é implementado pela Secretaria Municipal da Saúde. O programa é desenvolvido em ruas de periferia e encostas dos morros. Nessa fase inicial, a área abrange apenas 20% da total mapeada pelos coordenadores.

A região foi definida a partir do alto número de casos notificados de AIDS por uso de droga. O projeta de troca conta com a participação de 16 agentes de saúde e 12 monitores. Os agentes são pessoas da própria comunidade que se interessam em colaborar com o projeto. Eles muitas vezes fazem de sua casa um ponto para a troca de seringas, instalando caixas coletoras nas quais o usuário joga o material utilizado e pede uma nova seringa.

LEI ADMITE TROCA DE SERINGA

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 23/06/97

O projeto de lei com uma nova política sobre drogas aprovado pela Câmara e que ainda será votado no Senado traz a chance para que a troca de seringas seja legalizada. A lei atual dá margem à interpretação de que troca ou distribuição de seringa incentiva o uso da droga. No projeto aprovado, do deputado Elias Murad (PSDB-MG), isso foi mudado. No l2 artigo está escrito que incorre na pena de 6 a anos de prisão quem contribui para o uso de entorpecentes, "ressalvadas as ações de saúde empreendidas pela autoridade sanitária".

TROCA NÃO AUMENTA NÚMERO DE USUÁRIOS

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 23/06/97

 

Alex Wodak, 52, se formou em medicina na Austrália e fez especialização em gastroenterologia na Inglaterra, mas há 15 anos trabalha em uma área que, aparentemente, nada tem a ver com sua formação: prevenção ao vírus HIV entre usuários de drogas.

Dessa forma, tornou-se um especialista no assunto. Percorre vários países por ano dando palestras e prestando consultaria. O Brasil ele visita pela segunda vez em sua vida. Leia abaixo trechos da entrevista que ele concedeu à Folha:

Folha - Qual a importância da troca de seringas para o controle da transmissão de AIDS?

Alex Wodak - É uma das coisas mais importantes que podemos fazer para parar o crescimento da doença entre UDIs e é importante parar esse crescimento não apenas por causa dos usuários, mas pela população como um todo. A troca não faz crescer o uso de drogas e traz muitos benefícios por um custo muito baixo.

Folha - Quais as evidências de que a troca de seringas não estimula o uso de drogas?

Wodak - Percebemos que os usuários não deixam de usar drogas porque a seringa não está disponível na comunidade. Quando isso acontece, eles fazem equipamentos retirando a carga da caneta e utilizando apenas o tubo, por exemplo. Tenho visto no mundo os mais incríveis equipamentos usados para injetar ' drogas.

 

Folha - Há exemplos de como a troca de seringas pode ser benéfica para a redução da doença?

Wodak - Em Nova York, foi mostrado que usuários de drogas que não têm acesso a trocas de seringas têm três vezes mais chance de serem contaminados por HIV do que os atingidos pela troca. Em Washington, UDIs que não têm acesso à troca têm de sete a oito vezes mais infecção por hepatites B e C que os usuários que fazem troca. Há um estudo que será publicado no mês que vem no jornal científico "The Lancet" comparando 29 cidades. Em 21 delas não foi implementada a troca e em oito foi. A contaminação por HIV cresceu três vezes mais rápido nas cidades que não começaram a troca.

MATEMÁTICA PODE PREVER EFICÁCIA DE VACINAS ANTI-AIDS

Fonte: O Globo

Data: 23/06/97

 

Modelos matemáticos podem prever a eficácia de vacinas, mesmo que elas ainda não existam, como a da AIDS. Um dos cientista brasileiros que desenvolvem esse tipo de estudo é Cláudio Struchiner, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz. A principal vantagem dos modelos é que, quando o imunizante for desenvolvido, já se conhecerão questões básicas, como a porcentagem da população que deverá ser vacinada e a melhor estratégia a ser adotada, ou seja, que grupos de risco devem ser vacinados e a faixa etária a ser priorizada.

Segundo Struchiner, para determinar como será feita a vacinação da população é necessário saber como se dá a transmissão do vírus HIV entre os indivíduos que têm práticas de risco. Esse dado determina se a transmissão é alta o suficiente para justificar urna política de vacinação. E, caso ela venha a ocorrer, qual seria a melhor estratégia? A resposta só virá no final dos estudos.

Metodologia foi utilizada na vacina contra a malária - Struchiner, que tem mestrado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (lmpa) e doutorado na Universidade de Harvard, já desenvolveu o mesmo tipo de estudo com a malária, em 1992. O Brasil participou de uma série de ensaios feitos em países latino-americanos africanos para testar a vacina já existente contra a doença. As conclusões da pesquisa de Struchiner apontaram para a ineficácia da vacina e para a necessidade de se desenvolver outro imunizante.

No caso da AIDS, ainda não dá para inferir a eficácia da vacina porque ela não existe. Mesmo assim Struchiner garante que é possível estudar o comportamento da vacina, construindo teorias sobre como ela deverá funcionar. Além disso, um grupo de voluntários poderia ser utilizado para que se faça uma previsão do número de infectados no Brasil. Não temos como medir esse número diretamente porque não possível examinar toda a população brasileira. Através de estudo desse tipo, porém, podemos prever quantos indivíduos estão infectados e, desses, quantos deverão apresentar os sintomas.

Quando os cientistas desenvolverem a vacina anti-AIDS, o Brasil já terá seu grupo de voluntários para testá-la. São cerca de 800 homossexuais e bissexuais que participam do Projeto Praça XI, no Centro de Orientação e Apoio Sorológico São Francisco. Eles Integram uma pesquisa que tem como um dos objetivos prever futuras políticas de vacinação.

 

 

G-8 DEFENDE A DEMOCRACIA

Fonte: Correio Brasiliense

Data: 23/06/97

 

Denver (EUA) - Foi uma reunião histórica que assinalou a Entrada da Rússia como integrante pleno do seleto grupo de nações mais desenvolvidas do planeta. Apesar de poucas decisões concretas o comunicado final da Cúpula dos Oito (G-8) que reuniu os Sete Países mais Ricos do Mundo e a Rússia foi um dos mais abrangentes documentos feitos em cúpulas desta natureza.

A adoção de um tom duro, e raro, em vários aspectos do documento também foi ressaltado como um dos aspectos positivos do encontro. Um dos temas mais atuais e exaustivamente debatidos foi a devolução da colônia britânica de Hong Kong ao governo comunista da China. . Os oito líderes advertiram a República Popular da China de que deve proteger a democracia existente em Hong Kong ao recuperar a colônia no próximo dia 10 de julho. E avisaram que os direitos humanos e as liberdades civis devem ser administradas dentro dos "princípios internacionais" do estado de direito. A clonagem humana e todas as pesquisas relacionadas ao tema também foram censuradas. Em relação à AIDS foi acertado que os oitos países tentarão montar um grupo de pesquisa para contribuir na busca de urna vacina.

Segundo analistas, o comunicado Final da reunião representa uma derrota para os europeus nas questões ambientais do aquecimento da Terra e da devastação das florestas. Além disso, o compromisso de apoio econômico às nações mais pobres da África foi considerado "muito fraco".

Ao divulgar as conclusões finais da Cúpula dos 8 realizada em Denver, estado norte-americano do Colorado, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, reiterou o compromisso de todos os participantes com a ampliação da democracia mundial. O comunicado, que resumiu as questões abordadas e as metas propostas durante três dias de reunião, também pediu que o mundo se una para acabar com a degradação do meio ambiente e defendeu a adoção de políticas para o desenvolvimento econômico e a prosperidade global.

VELHICE - A Cúpula dos Oito, que reuniu os líderes do G-7 (Estados Unidos, Alemanha, Itália, Canadá, Japão, Franca e Grã-Bretanha) e mais o presidente russo Boris Yeltsin, também se concentrou nas implicações de uma crescente população idosa, já que a expectativa de vida nunca foi tão alta como nos dias atuais. O comunicado citou ainda a necessidade de incentivo ao processo de recuperação e busca da democracia na Bósnia-Herzegovina e de suspensão mundial das minas terrestres. Segundo números da Organização das Nações Unidas (ONU), as minas terrestres matam 70 pessoas por dia em todo o mundo.

Quanto à questão do meio ambiente, os líderes mundiais prometeram estudar o problema da mudança de clima, admitindo a existência de "evidências científicas esmagadoras " relacionando a emissão de gases na atmosfera e a variação das condições meteorológicas.

os lideres também prometeram cooperação internacional combate ao terrorismo e ao tráfico internacional de drogas e às redes de crime organizado. os chefes de Estado e governo defenderam, ainda, a necessidade de conter os "crimes high-tech", envolvendo computadores e telecomunicações.

 

 

 

VÍRUS AJUDA HIV A INVADIR CÉLULAS

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 20/06/97

 

Pesquisadores franceses descobriram que um tipo de vírus semelhante ao do herpes parece ajudar o vírus da AIDS a entrar nas células de defesa do corpo. O estudo é publicado hoje na revista "Science". Os cientistas, liderados por Marc Alizon, do Instituto Cochin, constataram que o HIV usa uma proteína chamada US28 para entrar em algumas células de defesa.

A proteína é produzida pelo citomegalovírus, que cientistas já suspeitavam que pudesse agir como um co-fator da AIDS. O citomegalovírus e o HIV teriam, assim, uma relação de simbiose (que traz benefícios mútuos) maior do que se supunha. Para provar que a US28 que age como porta de entrada para o HIV, a equipe inseriu o gene que produz essa proteína numa linhagem de células humanas que o HIV normalmente não infecta. Com o gene inserido, as células passaram a produzir a proteína US28. Depois colocaram as células em contato com várias linhagens diferentes de HIV. As células foram facilmente infectadas pelo da AIDS. Já há algum tempo cientistas vêm tentando testar a US28, mas sempre com resultados negativos. "Não há razão para duvidar desses resultados. Acredito que isso aconteça na vida real", escreveu David Posnett, da Universidade Cornefl, na revista.

Os pesquisadores terão, daqui para a frente, que resolver outro problema: saber por que, embora o vírus ataque o cérebro e a retina, há poucas evidências de infeccão simultânea de células CD4 o alvo preferencial do HIV- pelo vírus da AIDS e pelo citomegalovírus.

Outro estudo na mesma revista, feito por pesquisadores da Universidade George Washington e o Instituto Nacional de Pesquisas Odontológicas, mostra que outro tipo de célula de defesa pode servir como uma espécie de fonte de HIV no estágios iniciais da doença.

Eles descobriram que o macrófagos podem servir de fonte de vírus. Macrófagos são células de defesa que "comem" e digerem partículas estranhas, como vírus e bactérias.

Os cientistas também descobriram que as doenças oportunistas, que normalmente atingem pacientes com AIDS, como a pneumonia, agem como um gatilho, detonando ondas de produção de HIV.

AIDS: NOVOS TESTES

Fonte: Hoje em Dia

Data: 20/06/97

 

Os testes clínicos com calanolida, produto natural encontrado nas florestas de Sarawak, na Malásia, e que demonstrou sua utilidade na luta contra a AIDS, começarão nos Estados Unidos amanhã. Durante estudos anteriores, a canalonida, uma substância da categoria das antitranscriptases invertidas, conseguiu frear a reprodução do vírus HIV-1, inclusive algumas versões do vírus resistentes a medicamentos como o AZT. Os testes clínicos se estenderão por sete meses com um grupo de 50 pacientes com AIDS.

 

 

CRIANÇA AIDÉTICA TERÁ CASA EM SANTA LUZIA

Fonte: Minas Gerais

Data: 20/06/97

O município de Santa Luzia terá, em breve, uma casa especializada no atendimento a crianças aidéticas. O lançamento da pedra fundamental da Casa Florescer foi feito no último dia 7, quando foram inaugurados também o Centro Sócio-Cultural e Profissional da Apae Joana Martins, o Jardim Wilson Lambertucci, cuidado pelos alunos da Apae e uma lavanderia no Instituto São Gerônimo, que vai ajudar na manutenção de 90 crianças carentes.

O evento contou com as presenças do secretário do Trabalho, Assistência Social, da Criança e do Adolescente, Eduardo Barbosa, do prefeito de Santa Luzia, Carlos Alberto Parrillo Calixto, secretários municipais, representantes da Igreja e dirigentes da Casa Florescer, entre outros.

Segundo o prefeito Carlos Calixto, Santa Luzia antecipa-se às outras cidades mineiras, com a construção de uma instituição para prestar assistência às crianças aidéticas. Após destacar o trabalho da Setascad, o prefeito afirmou: "uma das prioridades do meu governo é o atendimento às crianças, porque entendemos que elas representam o futuro."

O presidente da Apae de Santa Luzia, João Bosco Pinto Monteiro, disse que a inauguração do Centro Sócio-Cultural e Profissional Joana Martins representa uma conquista da Apae, fundada há cinco anos pelo secretário Eduardo Barbosa, na época, presidente da Associação Mineira das Apaes. João Bosco acrescentou "as crianças terão, no Centro, um espaço para desenvolver atividades de jardinagem, culinária, fabricação de embalagens para presentes, e ainda uma cozinha-escola, construída em parceria com a Secretaria Municipal de Ação Social."

PORTADORES DE HIV EM GREVE DE FOME

Fonte: Diário da Tarde

Data: 25/06/97

 

RIO BRANCO (AE) - Um grupo de portadores do vírus da AIDS iniciou ontem, um protesto em frente ao Palácio Rio Branco. Eles e suas famílias acamparam no local na tentativa de pressionar o governo do Acre para conseguir o coquetel anti-Aids. O coquetel faz dois meses que não é distribuído aos doentes. Liderados pelo Movimento H & Vida, os portadores do vírus também iniciaram uma greve de fome. A idéia é chamar a atenção do governo do Acre para o problema. Os manifestantes chegaram de madrugada em frente ao Palácio e estenderam faixas anunciando o protesto.

HOSPITAL VAI TER QUE PAGAR R$66 MIL

Fonte: O Tempo

Data: 21/06/97

 

A técnica em contabilidade, Ana Maria Martins, é autora de uma das quase 500 ações indenizatórias julgadas este ano pelo Tribunal de Alçada de Minas Gerais (TAMG) e vai receber R$ 66 mil da Fundação São Francisco Xavier, de lpatinga, por ter recebido um diagnóstico errado de AIDS. Em julho de 1994, Ana Maria foi à Fundação para doar sangue e recebeu a notícia de que era portadora do vírus HIV. Quatro meses depois, um novo exame realizado em Belo Horizonte, foi constatado que ela não era soropositivo e que o resultado do primeiro exame era falso. Por causa disso, nos quatro meses que antecederam o novo exame, Ana Maria perdeu o filho, em gestação, e o emprego.

Em maio de 1995, ela decidiu entrar na Justiça e, através de um advogado, protocolou, na Cornarca de lpatinga, um pedido de ação indenizatória, negado em primeira instância em dezembro do ano passado. O advogado de Ana Maria, José Orlando Rios, recorreu e, no último dia 4, o Tribunal de Alçada de Minas Gerais deu ganho de, causa para ela e determinou que a Fundação são Francisco Xavier pague a Ana Maria R$ 66 mil.

Outro réu de ação indenizatória julgada favoravelmente pelo Tribunal de Alçada ao reclamante é José Renato Flausino Rocha. Ele vai ter que pagar, de uma só vez, R$ 12 mil aos pais de M.M.F, 13, morto em Campos Gerais, sul de Minas, em agosto de 1995, depois de ser atropelado pelo filho de José Renato. Ele era menor e, portanto, inabilitado.

"De repente as pessoas deixaram florescer a sua cidadania e descobriram que são sujeitos de direito buscando a recompensa da negligência, imprudência e imperícia de terceiros em ações indenizatórias", disse o advogado José Orlando Rios. A base jurídica da ação indenizatória é antiga e prevista no artigo 159 do Código Civil, de 1942. "Mas foi só com a Constituição Federal (I 988), em seu artigo 50, que a doutrina começou a ser mais estudada e divulgada", disse José Orlando Rios.

AIDS - Carta dos leitores (Maria Lúcia Araújo - 17/06)

Fonte: O Globo

Data: 20/06/97

 

Desde a publicação da reportagem 'Trabalho realizado pela Sociedade Viva Cazuza com as crianças vai virar livro (l3/06), estamos sendo cobrados pelas ONG/AIDS e pelo Ministério da Saúde a respeito da informação de que uma criança da Sociedade Viva Cazuza teria sido curada e encaminhada para um orfanato para adoção. O ocorrido foi que uma das crianças soro-converteu, fato conhecido cientificamente e muito comum, sendo adotada por uma pessoa indicada por nós. Como a AIDS é uma doença que ainda não tem cura, temos receio de que a confusão gerada por essa informação truncada possa abalar a reputação que conquistamos ao longo destes sete anos, assim como causar falsas esperanças aos portadores do vírus HIV positivo que tiveram acesso à noticia. Dessa forma, gostaríamos de pedir a reparação do mal-entendido caso achem conveniente.

ORIENTAÇÃO SEXUAL DEIXA DE SER TABU NA MÍDIA DOS EUA

Fonte: O Tempo

Data: 21/06/97

 

A história dos gays e lésbicas tem raízes em décadas quando o simples cochicho de que alguém não era heterossexual podia destruir carreiras e vidas, Os guardiães da moral pública mantinham os chamados transgressores firmemente em seu lugar, preferivelmente nas sombras. Em 1969, aconteceu o levante de Stonewall, em que os clientes de um bar no Greenwich Village reagiram com violência contra a polícia, que estava freqüentemente invadindo tais lugares. A maré começou a mudar. Isso se aceleraria com o advento da AIDS e anos de manchetes pessimistas.

O rótulo de gay não é mais um trunfo automático para fanáticos. O número de atores que deslancharam suas carreiras estrelares com papéis gays, lésbicos ou transexuais - astros do porte de Sharon Stone, Hugh Grant ou Daniel Day-Lewis - não é mais o segredo mais bem guardado de Hollywood. Quando se descobre que alguma personalidade é gay, a reação predominante beira o 'hã hã".

Nos últimos tempos, a mais ousada iniciativa sobre o assunto coube à rede de televisão ABC, que usou o rótulo antes tão temido para gerar publicidade para o episódio de 30 de abril de 'Ellen', em que a personagem-título, interpretada por Ellen De Generes, anunciou que é lésbica. O detalhe mais interessante da história é que "Ellen" tem produção da Disney.

Um dos poucos casos anteriores, dignos de registro no passado recente, foi o filme "An Early Frost". na TV, em 1985 - justificadamente elogiado como uma tentativa rara de lidar com o assunto da AIDS. Mas a TV a cabo, não sujeita a pressões de anunciantes, foi crucial na alteração da paisagem. Documentários como "And the Band Played On" e "Celluloid Closet", da Home Box Office, chegaram mesmo a ser premiados.

Algo novo está acontecendo, não apenas na sociedade americana mas em círculos de gays e lésbicas. A imagem gay está se afastando dos velhos clichês urbanos de promiscuidade desvairada. Outro exemplo revelador é o programa mensal "ln the Life", que trata de questões gays e lésbicas na TV pública federal dos EUA. Com Katherine Linton como apresentadora, na última semana o programa apresentou empregados da Disney Corp. que, embora se recordem de Walt Disney como conservador e anti-gay. endossam a política progressista da empresa - expressa no caso "Ellen".

CINEMA MOSTRA AIDS

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 25/06/97

 

A exibição do vídeo "Positive", uma colagem de filmes feitos para campanhas de prevenção da AIDS em vários países, abre amanhã, em São Paulo, o evento "Cinema Mostra AIDS", que reúne 20 títulos -alguns em 35 mm, outros em vídeo - em que a doença é protagonista ou coadjuvante.

Na tela, emoções que vão da repulsa ao deboche em filmes realizados em seis países a partir de 1989 .

Usando o cinema como canal de discussão, a iniciativa, inédita no país, é do grupo Pela Vidda-SP. O projeto foi viabilizado com verba -de US$ 10 mil- que o Banco Mundial aplica em programas de saúde pública no Brasil.

No segundo semestre, a mostra segue para outras capitais brasileiras, com a idéia de que, no momento de conquistas terapêuticas (leia-se o coquetel de medicamentos pesquisados pelo virologista David Ho), a qualidade da sobrevida dos infectados pelo vírus HIV é mais importante que o permanente temor da morte. "Queremos falar para o público que freqüenta cinema que a cada dia se vive mais e melhor com AIDS", diz Mário Scheffer, 30, idealizador do projeto.

 

 

"SENTI O BAFO DE SÃO PEDRO", DIZ A PEDAGOGA

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 25/06/97

 

"Hoje estou linda. Se bobear, preciso até de um regime. Mas já fiquei mal. Passava a mão na barba de São Pedro, sentia o bafo do poderoso", diz a pedagoga Nair Brito, 36 anos, cinco dos quais vivendo com HlV. Para ela, cujo bom humor é característica evidente, são duas as visões de espectadora diante de um filme no qual a AIDS apareça. "É como se a fita estivesse voltando na Minha história pessoal, um flashback que passa por momentos bons e outros de muita, muita dor". Sem nunca, como diz, sair intacta do cinema, a professora fica severa quando o olhar é de ativista. Além de coordenadora da Rede Paulista de Mulheres, Nair é representante, para a América Latina e Caribe, do grupo Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV e AIDS. "Vejo o filme como um produto. A visão é mais crítica, muitas vezes de desaprovação se há exagero de dramaticidade ou um apelo emocional equivocado. Fico querendo entender o que levou o produtor, o diretor, a optar por esse caminho", afirma Nair.

Na segunda vez que viu o filme "Filadélfia", ela estava em Ilha Solteira, divisa de São Paulo com o Mato Grosso, encenando uma peça sobre a doença, e aproveitou a folga de domingo para ir ao cinema. "Pegou e pegou com dor, de sacudir lá no fundo mesmo."

Com agenda repleta de compromissos graças à militância, que hoje lhe consome a maior parte do tempo, Nair festeja a idéia de usar o cinema para discutir AIDS.

"0 mais importante, nesse caso, seja um filme ou qualquer outro tipo de manifestação cultural, é que se consiga, no final das contas, produzir solidariedade", declara a professora.

ONG ADOTA O NOME 'FILADÉLFIA'

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 25/06/97

 

Filme que fez Hollywood aceitar a AIDS como tema, "Filadélfia" virou, desde 1995, nome de grupo de prevenção e apoio em Santos (SP). Foi uma homenagem por causa da discriminação, disse o travesti lndianara, um dos fundadores.

O grupo lista, como feito histórico, duas decisões adotadas na cidade: a internação de travestis em separado ou em ala feminina de hospitais e a inclusão do codinome na ficha médica -para o paciente ser chamado no feminino.

FRASES

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 25/06/97

 

"'Drácula do Coppola, tem toda uma mitologia do sangue que, inserida no momento, trabalha muito melhora AIDS sem tocar nela. É inquietante por , que não reduz o tema pela explicitação."

Jean-Claude Bernardet, 61, escritor, autor de "A Doença: Uma Experiência", sobre filmes e AIDS

'Se fosse da terra, mesmo eu queria ganhar uma coisa muito, muito cara. Se fosse de Deus, a cura, claro." Camila, 25, travesti que faz show caraterizada como Barbra Streisand, durante sua festa de aniversário, sobre o presente que gostaria de ganhar

"É imagem, som e movimento. A expectativa que tenho é a de ver um bom filme, o honesto. Não panfletário.

Ronaldo Mussauer, 30, engenheiro e militante, sobre relações entre cinema e vivência em AIDS

"Fiquei doente no meio do programa. A febre repentina que tive eu atribuo ao tema, pesado. A fome e a miséria também deveriam ganhar mostras específicas..."

Fábio Barreto, 40, cineasta que dirigiu um episódio sobre AIDS no programa "Você Decide", da Rede Globo, sobre a realização desse trabalho e sobre a mostra que acontece em São Paulo

"A grande dificuldade ali passar era credibilidade.

Eduardo Moscovis, 31, ator que viveu um atleta soropositivo no programa "Você Decide" dirigido pelo cineasta Fábio Barreto

"É arte a serviço da divulgação. Só não vale ser piegas.

Caio Rosenthal, 48, infectologista, sobre a idéia de reunir filmes sobre AIDS

"Nunca saberemos como teria sido o mundo sem essa espantosa doença.

Pedro Almodóvar, 45, cineasta espanhol, escrevendo sobre AIDS para Jornal-',', "EI Pais", em artigo publicado em março de 1994

PRINCIPAIS FILMES DA AMOSTRA

Caminhos Cruzados - (Common Threads: Stories from the Quilt, EUA, l989, de Robert Epstein e Jeffrey Friedman) Narrado por Dustin Hoffman, o documentário é tão triste quanto emocionante. Relata a história da AIDS Memorial Quilt nos Estados Unidos, com confecção de colchas para homenagear vítimas da doença.

A cura - (The Cure, EUA, 1995, de Peter Hurton, com Joseph Mazzello e Brad Renfro)

É a doença no universo infantil. Um garoto hemofílico, contaminado pelo HIV, sai junto com o amigo em busca da cura. É para ir às lágrimas.

Não Se esqueça Que Você Vai Morrer (N'oublie pas que Tu Vas Mourir, França, l995, de Xavier Beauvois, com Chiara Mastroianni) - Abordagem heterossexual da doença. Ao se descobrir doente, o protagonista se envolve com drogas, fáz qualquer coisa por dinheiro e acaba por se apaixonar. É aquele cinema francês mais arrastado.

Filadélfia (Philadelphia, EUA, 1993, de Jonathan Demme, com Tem Hanks, Denzel Washington) Com direito a Oscar, o drama judicial -de um soropositivo que perde o emprego por preconceito- surge com o mérito de ter feito Holliywood assumir,, pela primeira vez, a existência da doença. Vem com choro sob encomenda.

Fatal Love (Fatal Love, EUA, 1992, de Tom McLoughlin, com Molly Ringwald) - Drama politicamente correto no limite. Traz uma jovem que se contaminou por causa de uma paixão adolescente e que acaba virando militante da causa. É uma sessão da tarde a mais.

Kids (Kids, EUA, 1995, de Larry Clark, com Leo Fitzpatrick, Chloe Sevigny) - A loucurinha teen que chocou meio mundo usa sexo, drogas e irresponsabilidade para banalizara a doença. Focaliza, entre outras histórias, a de uma garota que, ao se descobrir contaminada, tenta impedir que outras pessoas - com as quais se envolveu - espalhem a doença.

Meu querido companheiro - (Logtime companion, EUA, 1990, de Norman Rene, com Campbell Scott e Stephen Caffrey) - Tipo filme B, flagra, a partir da história de um casal gay, o instante do pânico, quando não se havia informações sobre o "câncer" e todo mundo temia estar doente. Para ativistas tem o valor histórico.

Noites Felinas (Les Nuits Fauves, França, 1992, de Cyrril Collard, com Collar e Jacques Fieschi) - Collard, diretor e Protagonista, fez no cinema -só que menos cáustico- o que Hervé Guibert já havia feita na literatura francesa: falou de AIDS. O diretor morreu dias antes de ganhar o Cesar -o Oscar francês- de melhor filme, no qual evidencia sua autobiografia mais que hedonista

Jeffrey - De caso com a vida (Jeffrey, EUA, 1995, de Christopher Ashley, com Steven Weber e Michael Weiss) - Cult gay, a comédia faz graça com a paranóia de um homossexual apaixonado que tenta abstinência como única alternativa de prevenção. É divers I ão que elimina qualquer panfletagem oportunista.

Paciente Zero (Zero Patience, Canadá, 1993, de John Greyson, com Normand Fauteux e John Robinson) - Do ativismo à história natural da doença, tudo é deboche nesse ensaio de musical que focaliza o "paciente zero", um comissário franco-canadense que teria espalhado o vírus pelas saunas de San Francisco. É para abstrair geral.

Trainspotting (Trainspotting, Inglaterra, 1996, de Danny Boyle, com Ewan McGregor e Ewen Bremner) - Outro representante do cinema loucurinha. Aqui, a heroína faz a ligação perigosa com o tema central da mostra. Com os viciados no centro de tudo, o perigo da overdose e da contaminação vêm juntos.

A última Festa

(It's My Party, EUA, 1995, de Randal Kleiser, com George Seagal)

Depois de se descobrir soropositivo, protagonista promove festa de despedida, já que opta pelo suicídio para não encarar os momentos da doença que vão anteceder a morte. É humor negro esquisitissimo.

E a Vida Continua - (And the Band Played On, EUA, 1993, de Roger Spottiswoode, com Matthew Modine) - Produzido para TV, este documentado é um dos melhores filmes sobre o tema. Revela a descoberta do HIV e a briga dos cientistas Robert Gallo, americano, e Luc Montaigner, francês, pela patente do vírus. É cinema de boa qualidade.

 

Drogas Anti-AIDS podem restaurar o sistema inume

Fonte: O Estado de São Paulo

Data: 28/01/97

 

 

WASHINGTON - Pesquisadores provaram pela primeira vez que uma combinação de rriedicamentos contra a AIDS parece restauarar parcialmente o sistema imunológico em pessoas com a doença em estágio pouco avançado. Como essas conclusões se baseararn em resultados de testes feitos com células do sistema imunológicoo em laboratório, ainda não se pode dizer com certeza se essas células "reconstituídas podem proteger indivíduos infectados de desenvolver os sintomas da AIDS.

O estudo feito pelo especialista Michael Lederman, de Cleveland, foi apresentado no domingo, último dia da 4 Conferência sobre Retrovírus e infecções oportunistas realizada em Washington. O encontro, mesmo tendo recebido centenas de trabalhos científicos com resultados esperançosos, foi bem menos otimista do que os apresentados na XI conferência Internaconal sobre AIDS realizada em Vancouver, no Canadá em julho de 1996. O importante é que esse encontro demonstrou que os cientistas estão seguindo o caminho certo. O uso de várias combinações de medicamentos está prometendo transformar a AIDS em uma doença crônica controlável., embora tenha ficado assinalado que as drogas utilizadas não significam o fim da epidemia, em parte porque os países em desenvolvimento não poderão arcar com seus custos.

 

 

Remédio poderia combater a Aids

Fonte: Jornal da Tarde

Data: 23/01/97

 

 

Um grupo de cientistas da Universidade de Pretória, na África do Sul, afirma ter descoberto um tratamento para a Aids que apresenta melhores resultados e é mais barato do que outros produtos. Eles afirmam que uma dezena de voluntários tratados com a substância virotlepie tiveram melhoras significativas. O remédio reduz a carga do vírus da Aíds no sangue, permitindo aos portadores uma vida normal. Testes preliminares indicaram que o virodepie poderia recuperar pacientes em fase.terminal. Eles passariam a viver como os portadores do vírus que ainda não manifestaram a doença.

 

Drogas novas combatem AIDS resistente

Fonte: O Globo

Data: 25/01/97

 

 

WASHINGTON. Duas novas drogas contra a Alds foram apresentadas ontem na IV Conferência Mundial sobre Retrovirus, em Washington. Ao contrário da última grande conferência sobre Aids, realizada no ano passado no Canadá, esta não está sendo marcada pelo otimismo. Pesquisadores começam a apresentar os primeiros resultados de que os coquetéis anti-HIV não eliminam o vírus do organismo, mas apenas da corrente sanguínea. As drogas apresentadas ontem, ainda experimentais, surgem como uma opção para os casos de pacientes que já não respondem mais aos tratamentos existentes.

 

A primeira droga chama -se ABT-378 e foi desenvolvida pelo laboratório Abbott. Segundo o laboratório, trata-se de um remédio' de segunda geração dos Inibidores de protease, classe de medicamnentos que revolucionou o tratamento da AIDS, aumentando o tempo de sobrevida dos pacientes e melhorando sua qualidade de vida. Anteontem, porém, o pioneiro do uso dos lnibildores de protease, Davild Ho, reconheceu que estes não significavam a cura da Aids.

De acordo com o Abbott, a ABT.378 é dez vezes maistente po que o ínibidor de protease fabricado pelo laboratório, o Norvir. A ABT-378 é destinada ao combate de linhagens mutantes do vírus HIV resistentes a outras drogas. O chefe da equipe de desenvolvimento do remédio, Hing Sham, disse que ela também tem menos efeitos coliaterais e é mais suportável para os pacientes.

O outro medicamento apreen.tado na conferência foi desenvolvido pelo laboratório Agouron e charna-se Viracept. Como a ABT378, o Viracept é um inibidor de protease de segunda geração destinado aos casos em que os outros remédios falharam.

Segundo o laboratório, o Viracept reduziu a progressão da doença em 61% dos pacientes que submeteram aos testes. Todas essas pessoas haviam desenvolvido resistência aos medicamentos disponíveis no mercado. A droga Viracept foi testada em 23 pacientes voluntários e deverá ser experimentada num número maior antes de conseguir aprovação do Governo.

 

Coquetel contra a AIDS apresenta problemas

Fonte: Jornal do Brasil

Data: 25/01/97

 

 

WASHINGTON - Nos ultimos meses. um numero fenomenal de pacientes com HIV (vírus da Aids) começou a tomar o poderoso coquetel de drogas. E outro grande número escolheu abandonar o tratamento, queixando-se dos efeitos colaterais e das dificuldades para seguir o programa da terapia.

Há um ano. a grande revolução dos inibidores de protease estava sendo anunciada na 3' Confereência sobre Retrovirus e Infecções Oportunistas. Este ano, durante o mesmo encontro em Washington. Os especialistas estão tomando um dose pesada de realidade.

Sim. os remédios funcionam. Algumas vezes milagrosamente. Mas eles estão longe da perfeição. E as empresas fabricantes estão trabalhando para desenvolver uma nova geração de drogas contra o HIV mais potentes e menos tóxicas.

O coquetel geralmente provoca anemia e nauseas. Caso o paciente tenha doenças crônicas. corno diabetes ou problemas cardíacos. os efeitos são imprevisíveis. podendo levar a complicações que que exijam até amputações. Não se conhece os efeitos para o feto quando uma gestante toma o coquetel.

 

As más notícias são evidentes a cada estudo anunciado no congresso. Em Paris, uma pesquisa com a combinação das drogas indinavir, 3TC e AZT revelou que. em seis meses, 16% dos pacientes tinham morrido ou desistido do tratamento.

O tratamento com o coquetel exige várias doses diárias. O pesquisador Lois Eldred. da Escola de Medicina John Hopkins. em Baltimore, acompanhou 217 pacientes. Cerca de 20% disseram que deixaram de tomar todas as doses durante um dia inteiro ao menos uma vez por semana. E apenas 60% tomavam todas as doses diárias durante alguma semana.

 

 

 

 

 

AIDS causou 1,5 milhão de mortes no mundo em 96

Fonte: O Estado de São paulo

Data: 27/01/97

 

 

WASHINGTON - Cerca de 1,5 rnilhâo de pessoas, das quais 350 mil crianças, morreram no ano passado em todo o mundo em decorrência de doenças associadas ao vírus da AIDS, segundo os dados do último boletim epidemiológíco produzido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado ontem em Genebra. De acordo com o relatório, aproximadamente 3,1 milhões de pessoas contraíram o HIV em 1996, o que representa uma média de 8,5 mil infecções por dia.

O estudo afirma que atualmente mais de 22 milhões de pessoas vivem com o vírus, das quais 830 mil são crianças. A OMS calcula que doenças associadas à AIDS provocaram cerca de 5 milhões de mortes desde a descoberta do vírus, no começo dos anos 80.

 

Segundo a análise da organização, os números mostram que a epidemia continua crescendo em ritmo acelerado, especialmente na África, onde foi registrada mais da metade dos casos de Infecção. A mais recente preocupação da OMS é a Asia. A India tem registrado crescimento acima da média dos índices de Infecção e, na China, nos últimos três anos, o número de casos cresceu dez vezes.

 

Coquetel eliminaria vírus da AIDS no sêmen

Fonte: Jornal do Brasil

Data: 24/01/97

 

 

-WASHINGTON - Algumas pessoas já com o vírus da Aids no sangue a níveis indetectáveis também parecem estar sem infecção no sêmen e nos orgãos internos, avisa o cientista David Ho, diretor do Centro Aaron Diamond para Pesquisas sobre Aids. Segundo Ho, que participa da 4 Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, pesquisas com 20 pessoas que começaram o tratamento com o coquetel de drogas há 18 meses revelam dados encorajadores.

Os exames indicam ausência de virus vivo nas celulas seminais (que compõe o sémen) e sistema linfático. Mas o pesquisador ressalva que ainda não se pode dizer que pacientes estão livres do HIV, o vírus da Aids. "Se você perguntar se o HIV pode ser erradicado com essas terapias. a resposta será que nós não sabemos", avisou Ho. "E se você perguntar se o HIV foi erradicado de algum desses.pacientes. a resposta será negativa' , disse. Ho lembra que o vírus pode ainda estar nos nódulos linfáticos e células do sistema imunológico que sao dificeis de serem testatdas.

 

AIDS: controle em crianças é possível

 

 

Fonte: Jornal da Tarde

Data: 27/01/97

 

Crianças infectadas pelo vírus da AIDS talvez não tenham de passar a vida lutando contra a doença, afirmou Katherine Luzuriaga, que realizou estudo na Universidade de Massachusetts. "Um controle a longo prazo e a erradicaçào da multiplicaçâo do HIV parecem ser possíveis", disse a cíentista, na 4 Conferencia sobre Retrovirus e Infecçóes Oporturàstas, em Washington.

 

 

Cai o numero de vítimas da AIDS em Nova York

Fonte: O Globo

Data: 27/01/97

 

 

NOVA YORK. O número de pessoas que morreram de Aids em Nova York em 1996 caiu 30% em 1996 em relação a 1995. Foi a primeira queda significativa desde a identificação da doença em 1981. Os dados foram anunciados no sábado por Mary Ann Chiasson, do Departamento de Saúde de Nova York, durante um congresso sobre a doença, em Washington. As boas notícias surgiram ao mesmo tempo em que a Organizaçãó Mundial de Saúde (OMS) divulgava em Genebra números na da animadores sobre a Àids, que constam de seu último boletim de epidemias..

 

Verba e novos tratamentos são as causas da queda

 

Em Nova York, o número de mortes relacionadas a Aids caiu de 7.046 em 1995 para 4.944 no ano passado. Mas Mary Ann Chiasson disse que a queda se refere ao número de vítimas fatais da doença e não há qualquer sinal de redução no índice de pessoas contaminadas.

A queda é resultado da combinação de vários fatores, explicou Cliiasson. O advento de novos coquetéis de drogas contra o vírus FIIV, a possibilidade de diagnósticos cada vez mais rápidos e confiáveis para a Aids e o progresso na prevenção e tratamento das lnfecçóes oportunistas que acompanham a doença são alguns dos fatores que, segundo a médica, estão prolongando a vida dos pacientes. Ela cita também o aumento das verbas federais para o tratamento e a pesquisa da Aids.

A OMS divulgou dados menos otimistas. No mundo Inteiro, cerca de I,5 milhão de pessoas, éntre elas 350 mil crianças, morreram em 1996 de doenças relacionadas a Aids, segundo o último boletim de epidemias da Organização Mundial de Saúde. Também em 1996, cerca de 3,1 milhões de pessoas contraíram o vírus HIV, cifra que equivale a 8,5 mil infecções diárias.

Brasil tem alto índice de Infecção de jovens grávidas O boletim Informa que na América Latina e Caribe a contaminação vem crescendo entre mulheres e adolescentes. No Brasil, em El Salvador e no Haiti, o HIV vem tendo uma alta incidência entre as jovens grávidas na faixa dos 14 aos 24 anos. Na Europa Central e Oriental os maiores índices de contaminação ocorreram entre usuários de drogas.

Segundo a OMS, os novos números demonstram que a epidemia segue em pleno desenvolvimento, principalmente nos países africanos como Quênia, Ruanda, Tanzãnia, Zámibia, Zimbabue e Uganda, onde o índice de infectados com o HIV já passa de 14 milhões. Na região, disseminação da Aids está sendo agora acompanhada de um rápido aumento de antigas doenças sexuais, comp a sífilis. A índia apresenta um quadro semelhante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rumo da AIDS com o coquetel de drogas

Fonte: O Tempo

Data:

 

 

No ano passado, o uso disseminado de combinações entre ,medicamentos novos e antigos mudou a perspectiva para os doentes da Aids, prometendo transformar uma infecção fatal em uma doença crônica controlável.

Há vários tipos de coquetéis de drogas possíveis, muitos dos quais incluem as novas drogas inibidoras de protease. Todas .podem reduzir a quantidade de HIV, o vírus da Aids, para abaixo dos níveis de detecção no sangue em até 18 meses, o tempo mais longo em que o coquetel foi testado.

Com uma terapia assim alguns indivíduos saem da cama e muitos que estavam menos afetados pela doença estão levando uma vida normal.

"A boa notícia é que há uma porção de rostos sorridentes - em minha clínica hoje em relação há um ano ou dois", disse o médico Julio Montaner, especialista em Aids de Vancouver, no estado Columbia Britânica (Canadá).

No entanto, para um número desconhecido de pacientes, os remédios não estão funcionando. Para eles, o coquetel de drogas é mais um dos tratamentos em uma lista longa de amargas decepções com a Aids.

Esses problemas estão entre as questões a serem discutidas por 21 mil especialistas em um encontro científico de cinco dias sobre a Aids, em Washington, que começou ontem. Também será abordada a questão que talvez seja a mais importante nas mentes de todos os portadores da doença: a Aids pode ser curada?

Embora ninguém saiba exatamente quantas pessoas usam as terapias de combinação (com coquetel de drogas), estima-se que, entre os cerca de 750 mil infectados com o vírus da imunodeficiência adquirida, dezenas de milhares de pessoas nos Estados Unidos estejam usando as novas terapias. E não hà dúvidas de.que muitas práticas médicas tenham mudado drasticamente.

O médico Chris Tsoukas, especialista em Aids, na Universidade McGill em Montreal, disse que os novos tratamentos contribuíram para um declínio de cerca de 50% no número diário de aidéticos em vários hospitais do Canadá.

Uma coisa é certa: a era de tratamento do HIV com uma única droga acabou, e o novo coquetel parece ser a terapia mais poderosa desenvolvida na batalha de 16 anos contra a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, dizem especialistas. Porém " o tempo de experi'ências ainda é muito curto para que alguém saiba se os medicamentos vão perder sua eficácia. . Um exemplo é o AZT, que, embora eficiente, não é a cura que algumas pessoas. esperavam. Outro é o produto da engenharia genética conhecido como recombinamento CD-4, que não conseguiu nenhum resultado em experiências clínicas.

Cautela

As diretrizes publicadas no The Journal of the American Medica] Association em julho sugerem o uso de pelo menos dois medicamentos novos, e os médicos vêm aprendendo isso por meio de experiência e em discussões um com o outro. Mas a Food and Drug Administration (FDA, órgão que regula controla os alimentos e remédios nos EUA). aprovou o uso de um inibidor de protease isolado.

A realidade, dizem os especialistas, é que ninguém sabe em que proporção as pessoas que estão tomando o coquetel estão realmente melhorando. Geralmente, os médicos não levantam essa informação da forma que os pesquisadores fizeram nos estudos clínicos que mostraram os benefícios do coquetel.

O médico lan Weller, especialista da University College and Middlesex School of Medicine, em Londres, é cuidadoso: "Deveríamos estar cautelosamente otimistas, . mas demos três passos adiante quando deveríamos ter dado um em termos de que mensagens estamos dando para a comunidade. O resultado é que a expectativa de muitos pacientes estão muito altas."

 

 

Coquetel não elimina o HIV, diz o médico HO

Fonte: Otempo

Data: 24/01/97

 

 

Um ano de intenso tratamento com um, coquetel de remédios não conseguiu eliminar totalmente o vírus causador da Aids, segundo pesquisadores. De acordo com eles, o preço deste tratamento estimado em mais de US$ 1.000 por, mês', deverá continuar o mesmo. por pelo menos mais um ano.

Depois de um ano de pesquisas, os pesquisadores encontraram provas de que o vírus HIV, causador da Aids, permanece escondido nos nódulos linfáticos. O médico David Ho, do Centro de pesquisas da Aids Aaron Diamond, em NewYork, disse que ainda não há de que o vírus foi erradicado em qualquer dos clientes

Segundo o jornal americano , Boston GIobe, até o mês de maio deste ano, médicos dos EUA, iniciarão uma série de testes de uma vacina experimental contra a Aids em 400 voluntários. Se a eficácia da vacina for comprovada, cerca de 3.500 pessoas serão submetidas. ao novo medicamento a partir de 1998. Enquanto. não se iniciam os testes, os pesquisadores estão trabalhando uma alternativa à vacina,. que seria baseada no vírus da varíola do canário.

Ainda segundo o Globe, a nova vacina contém. vários genes, do vírus da Aids, além de uma proteína obtida por engenharia genética e modelada sobre um fragmento do invólucro externo do HIV.

Os voluntários são indivíduos com alto risco de infecção por HIV devido a. um passado promíscuo ou ao uso de drogas injetáveis. "No entanto, a experiência demonstra que muitos continuam adotando comportamentos de risco e é possível que até 2% deles venham se expor ao vírus", disse Bonnie Mathieson, da Agência Federal de Pesquisa da Aids.

 

 

Terapia elimina HIV de bebê soropositivo

Fonte: O Tempo

Data: 26/01/97

 

Uma terapia tríplice conseguiu elíminar depois de várias semanas de tratamento o HIV (vírus da Aids) em bebês soropositivos com idades entre dois meses e meio e 16 meses, anunciaram. ontem especialistas que participaram da 4 Conferência sobre Retovírus e Doenças Oportunistas, em Washington, Estados Unidos. Segundo os especialistas, os autores do estudo aplicaram uma terapia à base de zivoduvina (AZT), didanosina, e nevirapina em oito bebês soropositivos. Depois de seis semanas de tratamento a carga viral, isto é, a quantidade de vírus nos de sete deles baixou 95%. A carga viral pode ser quantificada por meio do material genético do vírus, o RNA.

 

Em dois desses sete bebês, afirmou o relatório, os anti-corpos ligados ao vírus da imunodeficiência humana (HIV), inclusive chegaram a desaparecer depois de 15 meses de tratam que dá esperanças de que o controle praticamente total da duplicação do vírus pode ser alcançado em algumas crianças se estas receberam na época a terapia tríplice.

 

Novo remédio reduz vírua HIV no Sangue

Fonte: O Tempo

Data: 28/01/97

 

 

O uso combinado de dois rnedicamentos experimentais permitiram reduzir em alguns pacientes a presença do HIV (vírus da Aids) no sangue a um nível não detectável, segundo dados clínicos apresentados no domingo, em Washington, na 4 Conferência anual sobre retrovírus e infecções oportunistas".

De acordo com os estudos, a Carga virótica de HIV foi reduzida em pacientes até não ser detectada, ao mesmo tempo em que se registrou um. aumento da quantidade de glóbulos brancos CD4, que contribuem para combater as infecções os cientistas, porém, alertam que é cedo para falar em erradicação do vírus.

Rússia

A Rússia registrou um aumento significativo no número de casos de Aids no segundo semestre de 1996: 1.397 pessoas. A alta quantidade viciados em drogas contribui para configurar o que o secretário de Saúde, Gennady Onischenko, classifica de a segunda fase do HIV na Rússia. Desde 1987 foram registrado 2.439 de soropositivos no país

 

 

Secretaria quer controlar uso de coquetel

Fonte: Hoje em Dia

Data: 28/01/97

 

Se os médicos que trabalham com a Aids continuarem receitando o coquetel fora dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, e se não houver melhor comunicação entre estes profissionais e o setor de farmácia dos centros de distribuição, haverá desabastecimento do coquetel anti-Aids em Minas.

O alerta foi feito ontem pelo coordenador de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/AIDS) da Secretaria de Estado da Saúde, Marco Antônio de Ávila, em reunião com 120 profissionais, entre médicos, enfermeiros e farmacêuticos que trabalham na rede pública com a Aids. O I treinamento sobre Uso Clínico e Distribuição de Medicamentos Anti-retrovirais aconteceu no Hotel Del Rey.

Marco Antônio disse que Minas tem seis mil casos notificados de Aids, incluindo três mil pessoas que ja morreram. Dos três mil que estão fazendo tratamento, 600 têm a recomendação de uso do coquetel anti-Aids, dentro dos critérios fixados pelo Ministério da Saúde-parâmetro laboratorial e contagem de células CD4. "Tem muita gente fazendo uso do coquetel, sem estar dentro dos critérios estabelecidos", o que acaba gerando filas nos centros de distribuiçao, principalmente em Belo Horizonte, afirmou.

O problema concentra-se ria Região Metropolitana, onde estão 60% dos pacientes que tomam o coquetel, e em Juiz de Fora, lnformou Marco Antônio. Ele ressaltou que o uso inadequado dos medicamentos pode também favorecer o aparecimento de cepas virais altamente resistentes. Além disso, o paciente corre o risco de apresentar efeitos colaterais e interações com outras drogas, que podem provocar sérias conseqüências

 

Gapa defende novo consenso

O presidente do Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (Gapa), Roberto Chateaubriand, que participou ontem do encontro. disse que a distribuição dos medicameiitos e o critério estabelecido pelo Ministério da Saúde envolvem unia série de fatores que precisam ser analisados.

Roberio Chateaubriand observou que o Governo Federal tinha verba limitada para a compra dos medicamentos e, para apressar a distribuição. decidiu comprar os inibidores dos três laboratórios fabricantes. Segundo ele, alguns médicos têm preferência por determinado inibidor, o mesmo acontecendo com os antivirais. A literatura mundial considera como critério para adoção do coquetel a carga viral, o que não acontece com o consenso do Ministério da Saúde, explicou. Para Chateaubriand, um novo consenso tem que ser discutido. Ele lembrou que os medicamentos são novos e os estudos são recentes."Temos que iniciar o tratamento evitando a criação de resistência", defendeu, citando também que o Brasil é o único país onde o coquetel é distribuído na rede pública.

Para a médica infectologista Maria Luíza Vasconcelos Nascimento, que trabalha no Hospital Eduardo de Menezes, um dos centros de distribuição de Belo Horizonte, a projeção feita pelo' Ministério para a proscrição do coquetel anti-Alds já está defasada. O universo é outro e o Eduardo de Menezes também distribui o coquetel para seus pacientes com medicamentos comprados pelo Estado, disse, informando ainda, que existe fila de espera no hospital, mas de pacientes que por enquanto podem ficar sem o coquetel.

ANÚNCIO ENGANOSO

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 31/07/97

 

 

"Sobre o anúncio da Golden Cross publicado em 2717: o Grupo de Apoio'à Prevenção à AIDS (Gapa-SP) não recebe qualquer tipo ou modalidade de ajuda da Golden Cross.

Pelo contrário, o Gapa-SP vem dando andamento a várias ações judiciais contra a indigitada empresa de assistência à saúde, em face de suas reiteradas negativas para a cobertura de internações hospitalares por AIDS."

José Carlos Pereira da Silva, presidente do Gapa -Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS (São Paulo, SP)

 

EPIDEMIA DE AIDS FAZ DOENTES MAIS JOVENS

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 31/07/97

 

 

A epidemia de AIDS no Brasil está atingindo faixas etárias cada vez mais baixas. No período de 83 a 85, a idade média dos doentes de AIDS era de 46 anos. No período de 94 a 97, essa idade passou a 34 anos.

Esses dados fazem parte do Boletirn Epidemiológico de AIDS referente aos meses de março, abril e maio deste ano, divulgado ontem pelo Ministério da Saúde.

O país registrou 7.610 casos a mais em relação ao boletim do trimestre anterior, passando o acumulado no período de 80 a 97 de 103.262 casos notificados a 110.872. Desse total, a estimativa do ministério é que 55 mil pessoas já estejam mortas devido à doença.

Segundo Pedro Chequer, coordenador Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, os números não significam uma explosão da epidemia, mas sim um aumento na notificação.

"0 aumento também se explica porque, para receber o coquetel anti-Aids, é preciso haver a notificação e isso acaba estimulando a comunicação dos casos", afirma. O coeficiente de incidência de AIDS no país (número de casos por 100 mil habitantes) acumulado de 8O a 97 é de 79,5. Entre os dez municípios com maior incidência acumulada de 80 a 97, sete são paulistas (Santos, Ribeirão Preto, Caçapava, Rio Preto, Catanduva, Barretos e São Vicente). O Estado de São Paulo ocupa o primeiro lugar, com incidência de 184,2 casos, e tem o maior número absoluto de casos (56.605). Na faixa etária dos 30 aos 34 anos há 24.813 casos (22% do total). Na faixa dos 25 aos 29 anos há 21% do total de casos. A epidemia atinge cada vez mais os jovens devido a uma mudança no perfil de transmissão. Embora a via sexual continue sendo a responsável pela maior parte dos casos, a transmissão por uso de drogas inj etáveis vem aumentando.

 

 

 

 

 

 

 

INCIDÊNCIA DA AIDS AUMENTA EM MG

Fonte: Estado de Minas

Data: 31/07/97

 

 

O Ministério da Saúde divulgou ontem o mais recente boletim epidemiológico da AIDS. Segundo o coordenador Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, Pedro Chequer, foram identificados 7.610 novos casos de AIDS em relação a março. No total são 110.872 casos em todo o País. O Estado com major número de notificações é São Paulo, com 56.605, seguido do Rio de Janeiro, com 16.325 e de Minas Gerais, com 7.273 casos. Chequer assegura que não está havendo um aumento na epidemia de AIDS, pois em mais de 170% dos novos casos que aparecem no boletim, a doença foi contraída antes de 1996: 'O que houve nos últimos três meses foi uma explosão na ocorrência de casos notificados', explica.

A preocupação do Ministério da Saúde é com o aumento de casos de AIDS em mulheres o entre a população de baixa renda. Ambas as tendências estão relacionadas com o aumento da transmissão por uso de drogas '. Chequer lembra que, mesmo nas camadas da população com renda e escolaridade maiores, há grande distância entre o conhecimento dos métodos de prevenção e seu uso efetivo.

O Ministério está estudando propostas para campanhas de prevenção contra AIDS entre a população de baixa renda. O coordenador do grupo é o sociólogo Herbert de Souza, o e. in io, e espera-se que a campanha esteja desenhada nos próximos dois meses. Mas em agosto já começa um projeto-piloto, no Rio de Janeiro, com a distribuição de preservativos para populações carentes na cesta básica. Em princípio serão atingidas 20 mil famílias.

Remédios - O Ministério da Saúde precisa de R$ 188 milhões para manter em estoque os medicamentos para doentes de AIDS até março do ano que vem. Pedro Chequer explicou que a preocupação é garantir recursos e fazer as compras logo, para que não faltem medicamentos em janeiro e fevereiro. O Ministério da Saúde é responsável pelo fornecimento de 26 dos 114 medicamentos de combate à AIDS, os restantes são fornecidos por Estados e municípios. Os remédios atendem a 72 mais pessoas com AIDS em todo o país.

Segundo Chequer, no momento há garantia de estoque, inclusive do coquetel, composto por AZT, antiretrovirais e inibidores de protease. Mas a partir de setembro alguns medicamentos da lista básica do Ministério começarão a faltar, caso não haja novas compras. A idéia é ir adquirindo os remédios por lotes, à medida em que os estoques de cada um estejam próximos do fim. A principal preocupação é garantir estoque para os meses de janeiro e fevereiro, época mais difícil de se conseguir verbas do orçamento.

 

CRESCE A INCIDENCIA DA AIDS ENTRE OS POBRES

Fonte: Diário do Comércio

Data: 31/07/97

 

Mulheres, jovens e pobres são hoje os grupos mais vulneráveis à AIDS. O perfil da epidemia foi traçado ontem pelo coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis AIDS, Pedro Chequer, durante o anúncio do registro de mais 7.55 2 casos, de abril a junho, elevando para 110 mil 872 o número total de pessoas contaminadas pelo vírus HIV desde 1980.

A vigilância epidemiológica do Ministério da Saúde identificou a tendência de disseminação da AIDS entre populações mais carentes a partir de dados sobre a escolaridade dos contaminados. Dos casos registrados nos últimos 17 anos, há 5% de analfabetos, 59% com o I' grau, 22% no 2' grau e 14% com curso superior A incidência da doença em populações mais pobres segue tendência mundial. Estima-se que, no ano 2000, mais de 90% dos doentes de AIDS estarão no Terceiro Mundo.

 

COMUNIDADE DEBATE PLANO DE AÇÃO PARA PREVENIR AIDS

Fonte: Estado de Minas

Data: 25/07/97

 

 

As ações para a prevenção da AIDS estarão sendo discutidas em Montes Claros nesta semana. O coordenador do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/AIDS), Marco Antônio de Ávila, vai proferir palestra sobre o assunto, seguida de debate, durante toda a tarde de quinta-feira, no Centro Cultural.

A chegada de Marco Antônio à cidade está prevista para amanhã. Antes de participar do debate, aberto à comunidade, ele se reunirá com a coordenadoria da DST/AIDS da Diretoria Regional de Saúde (DRS). O objetivo é discutir o plano de ação de prevenção contra a Síndrome da Imunodeficiência no Norte de Minas. Além disso, fará visita ao Hospital Universitário, que tem internados portadores do HIV. De acordo com a DRS, existem notificados no Norte de Minas, oficialmente, 153 casos de AIDS, com 53 óbitos registrados" Mas há indicativos de que a proliferação da doença seja muito maior.

O diretor regional de Saúde, Cláudio Pereira (que é urologista), chega a afirmar que, com base nos casos notificados, a região pode ter oito mil portadores do rus, porém, sem que a doença tenha ainda se manifestado ou que as vítimas tenham procurado algum serviço de saúde.

Explica o diretor da DRS que a Secretaria da Saúde está colocando em prática no Norte do Estado campanhas de prevenção e de atenção aos soropositivos. Essas campanhas vão envolver R$1 milhão em Minas, com recursos liberados pelo Banco Mundial e pelo Ministério da Saúde.

 

PESQUISA EXPLICA IMUNIDADE NATURAL À AIDS

Fonte: O Estado de São Paulo

Data: 28/07/97

 

 

A história começa em 1979, com uns ratos encontrados em uma granja nos arredores de Los Angeles, na Califórnia. Eles não eram comuns: portavam um gene que os protegia contra um devastador vírus da leucemia que estava aniquilando outros roedores da granja Esse gene impedia a infecção bloqueando o receptor por meio do qual o vírus ingressava nas células atacadas. Negado o acesso, o vírus era destruído pelas defesas do organismo. Em outras palavras, esses ratos eram geneticamente imunes à doença.

A descoberta levou o especialista norte-americano em genética Stephen O'Brien, do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, a pensar, que, se um rato era portador de um gene que o protegia contra um vírus letal, o mesmo podia ocorrer com os seres humanos. Em 1984, quando se descobriu que a AIDS era causada por um vírus enganoso denominado HIV, O'Brien decidiu investigar sua hipótese e solicitou a médicos de todo o país que enviassem para seu laboratório, em Fredíerick, Maryland, amostras de sangue infectados.

Proteção - Durante dez anos, O'Brien e sua equipe analisaram essas amostras à procura de um gene que protegesse o organismo contra o vírus da AIDS. Em agosto do ano passado, o gene foi localizado. No período de um ano, diversas descobertas feitas por parte de outros cientistas transformaram a pesquisa sobre a AIDS, confirmando que existe uma imunização genética para essa aterradora doença e oferecendo uma possibilidade de prevenção e cura

A primeira peça do quebra-cabeça. foi encontrada em 1986, na Universidade da Califórnia, em São Francisco, pelo cientista Jay Levy . Ele estava interessado do no caso de um homem infectado com o vírus da AIDS, em cujo sangue, após cinco meses de acompanhamento, não foi mais possível encontrar a presença do vírus. O HIV infecta os glóbulos brancos, os linfócitos denominados CD4. A principal tarefa desses linfócitos é ajudar as outras células do sistema imunológico a funcionar. Ao penetrar nos linfócitos CD4 e obrigá-los a reproduzir novos vírus que infectam e destroem mais células, o HIV paralisa o sistema imunológico. O resultado é a AIDS.

linfócitos - Parte da resposta do sistema de defesa envolve os linfócitos CD8, células encarregadas de matar os vírus invasores. Quando um vírus como o HIV infecta uma CD4, a célula exibe marcas indicadoras dessa ação. As células CD8 reconhecem essas pistas e destroem a célula enferma.

Levy suspeitou que as células CD8 deveriam ser as responsáveis pela inesperada cura do paciente. Depois de uma série de investigações, descobriu que havia uma substância nas células CD8 que eliminava os linfócitos infectados. Durante uma década, ele tentou localizá-la, sem sucesso.

Entretanto, em 1995, Robert Gallo, um dos descobridores do HIV, junto com o francês Jean-Luc Montagnier, trabalhando em colaboração com Paolo Lusso na Universidade de Maryland, anunciou ter encontrado substâncias nos linfócitos CD8 que suprimiam a proliferação do HIV no sangue de recém-infectados. Isto é, impediam o HIV de estabelecer uma ponte no organismo humano. As substâncias integravam uma família de moléculas semelhantes aos hormônios, denominadas quemoquinas - proteínas conhecidas por causar inflamações, presumivelmente fixando-se a receptores no sistema imunológico e arrastando-os à região da lesão. Pesquisadores decidiram examinar essas proteínas, na esperança de empregá-la para controlar a doença.

E isso assentou a base para a terceira descoberta. Em um laboratório do Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e infecciosas, em Bethesda, Maryland, o bioquímico Edward Berger, após prolongada busca, descobriu como HIV entrava nas células. Berger partiu da hipótese de que cada vez que o vírus penetrava em uma célula, apropriava-se dos receptores em sua superfície. Um receptor era o CD4, a proteína que dava seu nome à CD4. O outro ainda era um mistério.

Receptor - Em dezembro de 1995, quando Robert Gallo anunciou a descoberta da quemoquina, Berger encontrou uma proteína complexa que atravessava a superfície das células CD4. De alguma forma, mediante a do vírus do IUV com essa proteína e com a CD4, disseminava-se a doença. Se as células careciam dessa proteína, o vírus permanecia de fora. Berger pensou ter encontrado o segundo receptor que estava buscando e batizou-o de fusina. 'A fusina pertence a uma a família de proteínas que atuam como receptor-as de diversos processos químicos', disse Berger. 'Há centenas, talvez milhares de genes que integram essa família e alguns são receptores de quemoquinas.' Quando Berger apresentou seus resultados numa conferência realizada em fevereiro de 1996, vários pesquisadores começaram a fazer ligações entre as diferentes descobertas

De um lado, Gallo e Lusso determinaram que certas quemoquinas impediam os vírus de infectar as células. De outro, Berger anunciou que a proteína fusina, pertencente a uma família que incluía receptores de quemoquinas, facilitava a disseminação do da AIDS.

A terceira peça do quebra-cabeça- foi fornecida por Nathaniel Landaw pesquisador do Centro Aaron Diamond de Pesquisa sobre a AIDS, com sede em Manhattan, Nova York. 'Depois de uma série de análises, pude determinar que a chave residia nas quemoquinas', disse Landau. 'Essas proteínas podem bloquear o fixando-se a um receptor.'

Descoberta - No espaço de uma semana, em junho, pesquisadores de cinco laboratórios anunciaram de forma independente ter encontrado o co-receptor das CD4 que permitia ao HIV iniciar seu trabalho devastador no organismo. Tratava-se de um receptor da quemoquina A descoberta partiu da Universidade da Pensilvânia, do Instituto Oncológico Dana-Farber, de Boston, do laboratório Ed Berger e de duas equipes do Instituto Aaron Diamond.

Na mesma época, Steven O'Brien anunciou ter descoberto um gene receptor defeituoso na quemoquina que é resistente ao vírus. Esse conjunto de achados revolucionou as pesquisas sobre a AIDS, ao determinar que as quemoquinas conseguiam eliminar a infecção.

 

AIDS

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 27/07/97

 

Homens portadores de HIV com infecções na uretra têm oito vezes mais vírus no sêmen do que os soropositivos sem uretrite. Essa é a conclusão de um estudo da Universidade da Carolina do Norte (EUA) feito com pacientes do Malaui, na África, e publicado na revista "The Lancet". A pesquisa ajuda a compreender como o HIV se espalha mais rapidamente em regiões com altas taxas de doenças venéreas, além de mostrar como o tratamento delas pode prevenir a expansão da AIDS.

 

HIV AVANÇA ENTRE MULHERES EM IDADE FÉRTIL

Fonte: Hoje em Dia

Data: 27/07/97

 

O número de mulheres HIV positivas, principalmente em idade reprodutiva, tem aumentado significativamente- ano a ano no Brasil," em proporção semelhante, -cresce a transmissão perinatal, que pode, ser reduzida, em até 70%, com o uso do AZT durante a gravidez e no momento do parto. Números ainda parciais do Ministério da Saúde, apontam para 17.569 mulheres positivas, na faixa etária de 13 a 49 anos, sendo que 15.401, a partir de 91. Até 1990, 382 crianças tinham sido infectadas por transmissão perinatal. De I.991, até março deste ano - números parciais foram 2.118.

O Centro de Treinamento e Referência em Doenças Infecto-Parasitárias, através de um convênio ente a UFMG e a PBH, está submetendo gestantes ao tratamento com AZT. Porém, não existe urna sistemática de triagem de HIV durante o pré-natal e aproximadamente 150 gestantes/ano de maternidades públicas não estão sendo encaminhadas para tratamento. Segundo o coordenador do centro, o médico imunologista Jorge Andrade Pinto, pelo menos 50 gestantes da Maternidade Odete Valadares, do Hospital das Clínicas e Odilon Behrens já foram submetidas a este regime e isto se tornou prática corrente. Ele defende a sorologia anti-HIV na rotina do pré-natal. "Isto já está nos planos da Coordenadoria Estadual de DST/AIDS".

O trabalho que está sendo realizado no Centro de Tratamento e Referência começou em meados do ano passado e ainda não tem resultados definitivos. Jorge Andrade Pinto, que é professor do Departamento de Pediatria da UFMG, explicou, que as técnicas usuais não permitem diagnósticos preooces. São necessários de 12 a 15 meses para uma definição e a maioria das mulheres que estão no programa teve filhos no último ano. As crianças ainda estão na faixa em que se não se consegue definir se estão ou não infectadas. O PCR, técnica que será introduzida dentro de um o um a dois meses, permite diagnóstico entre o 3' e 6' mês.

Os primeiros resultados dos estudos que mostram a eficácia do uso de AZT na mãe infectada e na criança quando nasce foram divulgados, no final de 94, por um grupo norte-americano no 10 Congresso Internacional de, AIDS, realizado no Japão. Ficou comprovado que o uso do AZT' reduziu, de 25.5% para 8.7%, o risco de transmissão.

 

CRIANÇAS SÃO NOVAS VÍTIMAS DA DOENÇA

Fonte: Hoje em Dia

Data: 27/07/97

 

 

O número de casos de AIDS em crianças está aumentando porque também está crescendo o número de mulheres HIV positivas em idade reprodutiva. O perfil das pessoas infectadas começou a mudar a partir de 1993, com os casos de heterossexuais superando os de homossexuais.

Em 85, a proporção entre homens e mulheres era de 3O para 1. Atualmente, esta proporção é de 3 para I, caminhando para 2 para 1. Aconteceu um aumento proporcionalmente muito maior da mulher do que do homem. Segundo Jorge Andrade Pinto, atualmente o padrão de transmissão é essencialmente, heterossexual e tem como principais causas, o aumento do uso de drogas endovenosas e o parceiro heterossexual com múltiplos parceiros.

Pelo perfil das mulheres do centro de referência chega-se à conclusão de que o exame de HIV em todas as gestantes é de extrema importância. Segundo o coordenador do centro, o imunologista Jorge Andrade Pinto, a maioria delas é monogâmica ou teve poucos parceiros. "Se formos partir da categoria de risco, vamos perder a maioria delas e, para isto, é importante a testagem universal", disse.

Como a doença se manifesta mais precocemente na criança, muitas vezes, é ela a primeira pessoa da família a manifestá-la, facilitando a identificação dos pais infectados. Geralmente, são crianças de um ou dois anos, segundo o médico Jorge Andrade Pinto, que defende o direito da mulher grávida ao teste do HIV no serviço público. "É mais barato prevenir do que oferecer tratamento com drogas caras e de efeitos adversos. Nos EUA, o custo de uma criança infectada é de US$ 50 mil por ano.

O grande problema é que não conseguimos identificar as gestantes e, à medida que as identificamos, podemos intervir de maneira positiva, reduzindo em 70% o risco de transmissão", disse. Segundo o médico imunologista, estudos realizados na Maternidade Odete Valadares mostraram que a prevalência de gestantes HIV positivas gira em torno de I%. A maternidade faz em torno de 600 partos por mês, o que resultar em 50 a 60 mulheres gestantes infectadas por ano.

A Maternidade Hilda Brandão, da Santa Casa de Belo Horizonte, deve ter prevalência semelhante. Juntas, a Maternidade Odete Valadares, Hilda Brandão e as maternidades do Hospital das Clínicas e do Hospital Municipal O4ilon Behrens devem realizar' em torno de um mil a I.400 partos/mês.

 

 

TRANSMISSÃO ATINGE ATÉ 30%

Fonte: Hoje em Dia

Data: 27/07/97

 

 

Historicamente, a taxa de transmissão de gestantes HIV positivas para o filho é de 25 a 30% - na África, chega a 50%. O estudo feito nos EUA dividiu mulheres em dois grupos: um usou placebo e outro o AZT. O primeiro apresentou taxa de transmissão de 8.7%, enquanto que o segundo acusou 25.5%. "Isto dá uma redução de cerca de 70% na taxa de transmissão", ressaltou o médico imunologista Jorge Andrade Pinto.

Baseado em estudo que apresentou resultado considerado espetacular e uma das medidas de maior impacto na história do HIV - foi comprovado que o uso do antiviral reduz o risco de transmissão vertical em níveis bem importantes -, houve recomendação para, então, para sua aplicação em gestantes infectadas. A primeira recomendação foi para os EUA e Europa e, logo depois, endossado pelo Ministério da Saúde no Brasil.

O tratamento determina que o AZT em cápsulas seja usado na mulher a partir da 14' semana de gestação. No momento do parto, a mulher deve receber o AZT venoso. O recém-nascido recebe o AZT xarope durante as seis primeiras semanas de vida. A gestante toma cinco cápsulas de AZT por dia e durante o parto uma miligrama por quilo/hora durante o parto. A criança deve tornar duas miligramas por quilo/hora, quatro, vezes ao dia.

De 25 a 40% das crianças que nascem infectadas desenvolvem a doença precocemente geralmente nos dois primeiros anos de vida - e terão mortalidade alta nos primeiros anos. De 60 a 75% terão progressão mais lenta da doença, começando com os sintomas a partir dos quatro ou cinco anos de idade.

 

HISTÓRIAS SEM RETOQUES

Fonte: Hoje em Dia

Data: 27/07/97

 

 

Simone, 26 anos, foi infectava pelo marido e descobriu durante a gravidez de sua filha Andréia. A médica pediu o exame de HIV. Simone fez o Elisa e deu positivo. O ex-marido também fez o exame e o pai de Andréia também fizeram o exame. O pai da criança não foi infectado. Como HIV positiva, Simone procurou o Gapa que a encaminhou para o centro, onde começou a tomar o AZT. A filha já fez o teste Elisa duas vezes, dando positivo, mas no próximo pode dar negativo, pois no último foi detectada a presença de anticorpos.

Atualmente, Simone toma AZT e DDI e nunca apresentou os sintomas da doença. Ela contou que os efeitos colaterais são terríveis e que teve um período que parou de tomar os medicamentos. Simone aconselha todas as mulheres grávidas a fazerem o exame de HIV. As chances do filho não ser infectado são grandes com o tratamento. O risco e sua filha ter sido contaminada caiu para 8%.

Ao contrário de Simone, Roberto não sabe como foi infectado. Ele e sua mulher são positivos. Os filhos, um com dois anos e três meses e o mais novo com um ano e três meses, são negativos. Roberto descobriu que era HIV positivo em 93, quando foi internado com tuberculose.

A mãe das crianças tomou AZT durante a gravidez e na hora do parto. Os exames do filho, mais velho já deram negativos e o mais novo recebeu o resultado do último exame esta semana. "Graças a Deus que foi negativo", comentou o pai ao saber do resultado.

 

ACOMPANHAMENTO MENSAL

Fonte: Hoje em Dia

Data: 27/07/97

 

 

No Centro de Treinamento e Referência em Doenças Parasitárias, as crianças, filhas de HIV positivas são acompanhadas mensalmente pela equipe. "Ainda não podemos definir um percentual de infecção, mas todos os estudos apontam para redução semelhantes na taxa de transmissão", disse Jorge Andrade Pinto, lembrando que a taxa é 8,7%. Aproximadamente 180 crianças estão em tratamento no ambulatório de HIV AIDS em crianças da Faculdade de Medicina. O programa foi criado em 1989. O trabalho que está sendo feito com as gestantes começou no ano passado, mas, desde 95, todas as gestantes identificadas e seguidas na UFMG vem sendo submetidas a este regime. Do total de 180 criancas dez são sobreviventes de longa duração acima de oito anos - e estão levando uma vida normal. A criança mais velha está com 12 anos.

Para Jorge Andrade Pinto, a sobrevida das crianças infectadas vai ser modificada com as novas terapias antivirais. Atualmente, são utilizadas pelos menos duas drogas para tratamento. Ou AZT e DDI ou AZT e 3TC. O imunologista ressaltou que estas são as únicas drogas liberadas para o uso em crianças. Segundo o imunologista, a "associação de AZT e DDI ou AZT e 3TC tem trazido resultados excelentes na população pediátrica". Atualmente, todas as crianças infectadas e em tratamento no centro estão em terapia dupla. Crianças que tinham retardo de desenvolvimento importante voltaram a se recuperar, ganhando peso, recuperaram o nível de CD4. Os resultados são muito positivos.

 

AIDS TIRA SONO DOS NOSSOS CIENTISTAS ENQUANTO PESQUISA NÃO ACHA A CURA

Fonte: Dário de Belo Horizonte

Data: 27/07/97

 

 

Antes foi a peste bulbônica, tempos depois o câncer e agora é a vez da AIDS tirar o sono dos cientistas e pesquisadores que lutam em busca da cura para a doença. As discussão sobre a doença puderam ser ouvidas, até mesmo, durante a 49 Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No debate "AIDS: evolução da epidemia e novas perspectivas terapêuticas!', o professor Davi Uip, infectologista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) não se esqueceu de discursar sobre a expansão da doença, advertindo, que as mulheres são, hoje, o grupo mais exposto ao vírus.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, o número de pessoas infectadas cresce a cada ano no Brasil e, como não podia deixar deixar de ser, a proporção de mulheres soropostivas, que em 1983 representavam uma para cada 40 homens, hoje detém a proporção de uma para cada I,6 homem. Esse alto índice deve-se, sobretudo, à falta de cuidados preventivos no início da vida sexual, que, diga-se de passagem, tem começado bem cedo. Em média, calcula-se que aos 10 anos as garotas já têm vida sexual ativa. Não se pode esquecer, também, que os outros fatores agravantes são a troca freqüentes de parceiros e o uso de drogas.

Perinatais - As crianças também são normalmente atingidas. Segundo as estatísticas, no País foram registrados 321 transmissões perinatais no último ano. Um número já alarmante para um país que tem I,2 milhão de pessoas infectadas pelo HIV. '

Davi Uip garante que está muito assustado com a progressão da doença, mas considera que o número é uma causa da ineficiência da política de prevenção adotada no País, estimulada por campanhas publicitárias de mau gosto que banalizam as relações interpessoais.

De acordo com o professor da USP, a salvação para a prevenção da doença está nas salas de aula do ensino fundamental. As crianças podem transmitir o que aprendem e se prevenir mais cedo.

Os cuidados precisam ser precoces já que todos podem ser contaminados. "Não existe mais grupos de risco", assegura o médico. Hoje, os grupos de risco foram disseminados e, agora, quem sofre mais com a doença são as pessoas que nunca imaginaram que poderiam, um dia, estar com AIDS.

 

RECUO DA AIDS É MENOR PARA MULHER

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 26/07/97

 

Apesar do efeito ressuscitador do "coquetel" de drogas anti-Aids, a mortalidade de doentes mulheres não está caindo como o esperado na cidade de São Paulo. A queda nas mortes de doentes homens também está diminuindo.

Levantamento do Pro-Aim (Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade) da Prefeitura de São Paulo mostra que a redução no número de mortes de portadores do HIV do sexo masculino foi cinco vezes maior do que a das mulheres no segundo trimestre deste ano.

Nesse período morreram 156 mulheres, 8,8% menos do que no segundo trimestre do ano passado. A redução de mortes no caso dos homens foi de 35,6% em relação ao ano passado, a mesma diminuição registrada no 12 trimestre do ano.

Se comparada com a redução das mortes no 12 trimestre deste ano, os 8,8% das mulheres revelam ainda mais a aceleração da epidemia entre o sexo feminino. De janeiro a março deste ano, a queda da mortalidade das mulheres com AIDS havia sido de 18,8%.

"Esses números mostram que existe uma dinâmica diferente entre homens e mulheres. Para homens, a doença já atingiu seu pico e está decrescente. Nas mulheres, existe um efeito contrário: está em crescimento acelerado", diz Artur Kalichman, coordenador do DST-Aids (o departamento de doenças infecto-contagiosas da Secretaria da Saúde). E acrescenta: A elevação da doença nas mulheres é tão grande que mesmo os efeitos do coquetel não são tão grandes".

O coquetel está sendo distribuído pelo governo do Estado desde novembro do ano passado. O efeito das drogas, segundo os médicos, é exatamente o mesmo para os dois sexos: elas podem reduzir até níveis indetectáveis a quantidade do vírus no organismo e, com isso, aumentar a expectativa de vida do doente. O que estaria dando essa diferença na mortalidade é a velocidade com que o vírus atinge as mulheres. Dados da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo mostram que o número de homens infectados está caindo, e o de mulheres, subindo. No ano passado (os números ainda não estão fechados) foram contaminados 5.203 homens e 1.972 mulheres.

Segundo Kalichman, o que mais preocupa é a contaminação fora dos grupos de riscos. "Essa aceleração entre as mulheres ocorre exatamente entre aquelas que são heterossexuais e têm um relacionamento fixo. O problema é que elas não estão preocupadas com a doença e acabam chegando aos serviços de saúde mais tarde", diz.

O infectologista Vicente Amato Neto concorda e afirma que o grande vilão hoje é o bissexual que não assume. "Muitas mulheres são contaminadas por seus maridos e não desconfiam porque, muitas vezes, eles são homens que mantêm relacionamentos secretos com outros homens e geralmente com comportamento de risco."

 

TRANSMISSÃO VERTICAL AUMENTA

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 26/07/97

 

 

A transmissão vertical - de mãe para filho - da AIDS está subindo no Estado de São Paulo e pode aumentar ainda mais. Até hoje, foram notificados 1.676 casos de bebês que contraíram o vírus da AIDS de suas mães. Em 1987, esses casos representavam apenas 1,65% do total de infectados no ano. Em 1995, essa relação passou para 3,28%. Em números absolutos, em 87, foram apenas 23 casos e, em 95, 279 crianças contaminadas por suas mães.

Segundo o infectologista Vicente Amato Neto, professor titular do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP, o resultado imediato do crescimento do número de casos de mulheres contaminadas é o aumento dos nascimentos de crianças com HIV. Isso vai ocorrer, segundo ele, porque a maioria das mulheres contaminadas hoje contraem o vírus em relacionamentos heterossexuais e constantes. "Muitas mulheres têm o vírus e nem desconfiam. Por isso, é mais fácil que elas se deixem engravidar", afirma Amato Neto.

Como não se encaixam no grupo de risco, essas mulheres apenas procuram centros de saúde para fazer exames quando começam a notar os sintomas, muitas vezes já grávidas.

Para Alexandre Grangeiro, da coordenação do DST-Aids, essa tendência de crescimento de contaminação vertical é muito clara. "Os números mostram isso." (LM)

 

"COQUETEL" REVOLUCIONOU TERAPIA

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 26/07/97

 

 

O uso do "coquetel" de drogas anti-HIV é considerado uma revolução nas terapias contra a AIDS desde o surgimento da doença no início dos anos 80.

Ele começou a ser usado em 95 e ficou famoso no ano passado, quando foram divulgados resultados de tratamentos 'nos EUA em que a quantidade de vírus em alguns pacientes foi reduzida a níveis indetectáveis. Antes do coquetel, os doentes de AIDS eram tratados apenas com inibidores da transcriptase reversa, uma enzima que atua na fase inicial do ciclo de reprodução do vírus no organismo. O AZT é o mais conhecido deles. Depois de algum tempo, o AZT começou a não ter mais efeito contra o HIV. No início dos anos 90, começaram a surgir os inibidores de protease, outra enzima que atua na fase final da vida do vírus.

Em 1995, o infectologista norte-americano David Ho começou a tratar portadores do vírus com a combinação das duas drogas, que ficou conhecida como coquetel. - No ano passado, Ho divulgou os resultados positivos em uma conferência no Canadá. Em São Paulo, o coquetel começou a ser distribuído pela rede pública de saúde em novembro do ano passado apenas para pacientes na fase final da doença. A secretaria avalia que hoje cerca de l5 mil doentes recebem algum tipo de medicamento anti-HIV no Estado. Não se sabe, no entanto, quantos doentes estão recebendo o coquetel na região. (M)

 

PORTADOR VOLTA A TRABALHAR E ESTUDAR

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 26/07/97

 

 

Nos últimos três anos, Jorge Elias de Souza Osório, 37, teve duas toxoplasmoses, duas pneumonias e várias gripes, tudo em decorrência do HIV. Seu estado era tão crítico que ele afirma que, no ano passado, não conseguia levantar da cama.

Há quatro meses, Osório começou a tomar o "coquetel", e todas as infecções passaram. "Voltei a viver. Estou trabalhando e retomei meus estudos."

Desempregado, Osório começou a trabalhar em uma casa de ajuda a portadores do vírus e se matriculou no 3 primário no supletivo de uma escola pública. "Adoro estudar. Participo de festas e todas as atividades. O bom é que agora tenho disposição para isso", afirma.

Osório é homossexual e afirma que ficou sabendo que tinha o vírus em 1992. "Sempre gostei de meninos e acho que foi assim que a doença, porque nunca usei camisinha.", diz.

Viaduto do Chá - Dois anos depois de fazer o teste, Osório afirma que começou a ficar "muito triste porque achaque ia morrer". "Pensei em jogar do viaduto do Chá duas vezes . Ainda bem que mudei de idéia", afirma.

Osório conta que ele tem um namorado e que sempre usa casinha. "A AIDS não vem escrita testa. Por isso, a gente tem que se prevenir. É isso que falta para todo mundo." A única coisa que incomoda Osório hoje é a grande quantida de de medicamentos que é obrigado a tomar por dia. São cerca de 42 comprimidos diferentes. "Uns a gente tem que colocar na geladeira e tomar sem comer outros não. É um inferno." Ele afirma que, apesar da grande quantidade de drogas, não teve grandes problemas de rejeição aos medicamentos.

 

 

 

 

 

 

 

 

HOSPITAL LUTA CONTRA A AIDS ENTRE CASAL HETEROSSEXUAL

Fonte: O Tempo

Data: 25/07/97

 

 

Um Hospital espanhol abriu uma linha pioneira de atenção aos casais heterossexuais estáveis em que um dos membros está infectado pelo HIV (vírus que causa a AIDS). Nesse programa, proteger o lado sadio - do contágio pelo sexo tem a mesma importância que cuidar do doente.

O tratamento médico e as informações sobre prevenção se mesclam em uma atenção pouco convencional, onde o primeiro objetivo é convencer os casais a utilizarem preservativos em suas relações sexuais. O acompanhamento de mais de 60 casais demonstrou que 25% nunca usa camisinha e somente depois de dois anos de assistência, 33% deles aceitam o seu uso.

'Eles se negam a usar preservativos para manter uma sensação de normalidade em suas vidas, afirma o doutor José Manoel Agud responsável pelo projeto.

Na linguagem usada pelos especialistas, uma pessoa infectada pelo vírus da AIDS e outra sadia formam um casal discordante. 'Hoje em dia não é uma piada a existência de casais nesse convívio. Já são uma parte muito significativa do total', disse Agud. 'Pelo menos aqui, em Vitória, uma maioria assustadora de pessoas. que algum dia consumiram drogas e conseguiram superar o vício com planos de reabilitação, refizeram sua vida e se uniram a pessoas sadias. "

O acompanhamento desses casos realizados em Txagorritxu, nos últimos dois anos, revela que os casais que usam preservativos. apesar de saber com certeza que apenas seu uso protege com eficácia do contágio da AIDS, não respondem a um perfil concreto. Entre eles, há pessoas procedentes de grupos que vivem na marginalidade extrema e outras que apresentam algumas características similares aos que sempre usaram preservativos.

'Os fatores clássicos de nível econômico, social e cultural não determinam alguns hábitos concretos nesse tema, afirma Agud. Tampouco infui a idade ou se a pessoa infectada é homem ou mulher, sequer a fase de desenvolvimento da doença ou a via pela qual foi contraída. 'Algumas vezes só depende do amor, conclui Agud.

Não existe a possibilidade de simplificar o trabalho de prevenção identificando apenas subgrupos de casais com maior risco', afirma o médico espanhol. 'A aproximação dos casais deve ser individualizada e universal. A efetividade baseia-se no fato de que a interação entre a equipe médica e os casais dificilmente é autômata. Cada um é um mundo diferente'. Praticamente todos os 62 casais submetidos a acompanhamento mantêm em segredo que um deles está afetado pela AIDS - somente durante a consulta assumem com naturalidade a situação.

A fórmula escolhida para entrar em contato com os casais fora de compasso está entre a consulta clínica e a entrevista informativa. Uma equipe composta por um médico e uma enfermeira tenta se aproximar do casal. "A primeira impressão é que as pessoas sadias correm dos médicos. Colocar na cabeça que também deveríamos investir tempo na pessoa que está sadia foi importante'. O cenário onde se pôs em prática a experiência foi a consulta médica, pelo qual devem passar, obrigatoriamente, os soropositivos para serem tratados de sua doença.

Temos conseguido que os Pacientes de AIDS venham às consultas acompanhados de seu parceiro. Trata-se de criar um ambiente que permita oferecer mensagens de prevenção, algo que os infectados pelo vírus geralmente não querem ouvir falar'. afirma Agud. A primeira diferença entre uma consulta convencional e a forma como a equipe de Txagorritxu trata os casais fora de compasso é o tempo que dedica a eles.

É uma relação diferente, afetuosa e nós conseguimos nos inteirar sobre muitos detalhes relacionados com seus hábitos de vida. De outra forma, o médico não pode influir e conseguir uma mudança. Animamos os pacientes a responder às nossas propostas e pensar em voz alta, sem nossa intervenção, disse Agud.

Qual deve ser a proporção entre a parte informativa e a clínica? 'É um equilíbrio difícil, porque os padrões da consulta e da entrevista são muito diferentes; na primeira manda o médico, mas na prevenção, não ". afirma Agud.

O estudo mostrou que os casais fora de compasso apenas usam métodos contraceptivos, apesar do risco de transmitir a doença ao filho. 'Os que nunca usam preservativo, somente anticoncepcionais, utilizam um procedimento tão ineficaz para evitar gravidez quanto para impedir o contágio da doença', explica Agud.

As entrevistas revelam que é freqüente a preocupação com a descendência. 'o desejo de ter filhos nos obrigou a facilitar a informação sobre os riscos de transmitir a doença na gravidez e as possibilidades de diminuí-lo, consideravelmente, com as novas técnicas de fertilização programada e tratamento do sêmen. Abordando com clareza estas soluções, consegue-se credibilidade para as mensagens de prevenção.'

Segundo os dados acumulados até 1996, 3096 das mulheres infectadas com o vírus da AIDS foram contaminadas por via heterossexual. Dentro deste grupo, a imensa maioria sabia que o parceiro que transmitiu a doença era soropositivo ou dependente de drogas injetáveis. No caso dos homens, a percentagem é um pouco menor. Agud destaca a crescente importância da transmissão sexual entre casais estáveis no futuro da epidemia da AIDS. 'O contágio em um contato sexual esporádico não apresenta um risco tão alto como no contato contínuo com um parceiro que já sabe ser portador do vírus, lembra,

Além dos remédios - A busca por remédios eficazes para combater a AIDS sombreia outras faces da luta contra a doença. O doutor José Manuel Agud defende a necessidade de atender, paralelamente, as vias secundárias que não captam o interesse das grandes empresas farmacêuticas, porque não geram o negócio que se move em torno dos medicamentos contra a AIDS.

'Parecia que nós deveríamos mergulhar de cabeça nos aspectos que não dão dinheiro, nem têm a atenção do grande público. como acontece com a tuberculose ou a prevenção da transmissão sexual em heterossexuais, em um momento onde o tratamento parecia arrolar tudo o mais', explica. Desse ponto de partida, a equipe do Hospital de Txagorritxu começou, em 1994, a participar de um grupo europeu de acompanhamento de mulheres infectadas pela AIDS. Assim, começaram a estudar as patologias ginecológicas de seus pacientes soropositivos, a gravidez e aborto e chegaram a tratar o problema da transmissão heterossexual em casais estáveis.

Agud reconhece suas dúvidas sobre a forma de preparar os profissionais para os programas que ultrapassam os critérios convencionais da assistência sanitária. 'Necessitamos de formação e habilidades que vão além de nossa especialidade e correspondem mais ao campo da psiquiatria'. disse. Agud trabalha em prol de um debate social intenso e interdisciplinar sobre as formas de enfrentar a epidemia. 'A AIDS não é um tema ao qual tenham de prestar atenção exclusivamente os profissionais de saúde. É necessária a participação de sociólogos e filósofos. também, entre outros..

 

 

 

AIDS

Fonte: Jornal da Tarde

Data: 25/07/97

 

 

Mais 8 mil casos de AIDS foram registrados no País nos últimos quatro meses (de março a julho). Esse número deverá constar do Boletim Epidemiológico de AIDS do mês de julho, produzido pelo Ministério da Saúde. Desde que o governo começou a distribuir o coquetel anti-Aids, as notificações vêm aumentando, pois os doentes têm de se cadastrar para receber os remédios.

Os balneários de ltajaí e Camboriú (SC) continuam como primeiro e segundo colocados, respectivamente, no ranking dos municípios com maior incidência de contaminação. Os quatro municípios seguintes são do Estado de São Paulo, encabeçados por Santos. Mas São José do Rio Preto, que no último boletim vinha em segundo lugar, está atrás de Riberão Preto e Bebedouro. De acordo com os dados, Santos tem 526,3 casos acumulados por 100 mil habitantes. Já São José do Rio Preto tem 435,5 casos.

A indicação de Ribeirão como a cidade que em 95 teve maior número de casos notificados - feita pelo IBGE - causou polêmica. A confusão surgiu porque o ranking foi feito levando-se em conta apenas os municípios com mais de 300 mil habitantes e que tiveram mais de 500 casos desde 87. Por esse critério, Ribeirão era onde havia maior incidência da doença: 5,63 para cada 10 mil habitantes. Santos, com 5,31 casos para cada 10 mil pessoas, estava em segundo lugar. Já os balneários catarinenses não tinham mais de 300 mil moradores'.

 

ESTUDO MOSTRA CAUSA DA INEFICÁCIA DO AZT

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 31/07/97

 

 

Cientistas alemães descobriram por que o medicamento AZT, que está há dez anos no mercado, não tem sido eficaz no tratamento da AIDS, segundo estudo a ser publicado nas edições de agosto das revistas "Nature Medicine" e "Nature Structural Biology".

A descoberta poderá ser útil para aperfeiçoar medicamentos de combate à ação do vírus HIV, segundo os pesquisadores. No entanto, a empresa norte-americana Glaxo Wellcome, que fabrica o AZT, divulgou que não acredita que o estudo possa ajudar a melhorar as drogas existentes.

O AZT foi a primeira droga aprovada para uso especifico contra o HIV. Sua ação depende da interação com moléculas que atuam em células. Os cientistas descobriram que o AZT tem sua ação dificultada por uma "dobra" que ele mesmo provoca na estrutura de uma dessas moléculas.

 

CESTA BÁSICA TERÁ CAMISINHA PARA CONTER AVANÇO DA AIDS

Fonte: Jornal do Brasil

Data: 31/07/97

 

O Ministério da Saúde vai incluir camisinhas nas cestas básicas para combater a AIDS na população de baixa renda. O projeto é coordenado por uma comissão presidida pelo sociólogo Hebert de Souza, o Betinho, e será testado no Rio em agosto, com a distribuição de 20 mil preservativos.

A Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS (DST/AIDS) constatou o aumento da incidência do vírus HIV entre crianças. Segundo o último boletim, nos últimos três anos foram notificados I.744 casos de AIDS entre menores de 13 anos.

O objetivo da comissão presidida por Betinho é formular propostas de um programa para prevenir a doença na população de baixa renda. Segundo o coordenador da DST/AIDS, Pedro Chequer, "as dificuldades são maiores para fazer com que esta faixa mude de hábitos".

Avanço - O coordenador informou que em São Paulo, há cerca de dez anos, a AIDS se concentrava nos bairros de classe média alta. Agora, avançou para os bairros pobres, onde há uma mulher contaminada para cada homem infectado. Na década de 80, a proporção era uma mulher para 28 homens. A última pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revelou que, nos últimos três meses, foram notificados 7.610 novos casos, totalizando 110.872 portadores do vírus HIV no país. A maior parte das crianças infectadas adquiriu a AIDS através da transmissão perinatal.

De cada grupo de 100 mil habitantes, 79,5 têm o vírus, um aumento de 5,5 em relação a março. Segundo Chequer, o número de casos registrados aumentou porque a notificação passou a ser exigida para que as pessoas infectadas recebam gratuitamente os novos medicamentos do coquetel de drogas na rede pública de saúde.

O Ministério da Saúde busca recursos extraordinários para garantir o abastecimento, até março de 1998, dos 26 medicamentos usados contra a AIDS. Serão necessários aproximadamente R$ 200 milhões, para atendimento a 72 mil pacientes que hoje recebem o coquetel,

São Paulo - O estado com maior número de notificações é São Paulo, com 56.605 casos, seguido do Rio de Janeiro, 16.325 e Minas Gerais, 7.273. O Distrito Federal é o terceiro colocado quando o critério é a concentração do vírus. São 93,4 doentes de AIDS para cada grupo de 100 mil habitantes. As cidades com maior incidência são ltajaí (SC), com 666,3 casos por 100 mil habitantes; Camboriú (SC), 599,1; Santos (SP), 526,3; e Ribeirão Preto, com 447,9.

A faixa etária com maior número de casos de AIDS notificados é de 30 a 34 anos, com 24.813 casos, que correspondem a 22% do total, seguida da faixa etária de 25 a 29 anos, com 21%. A tendência era a mesma registrada no boletim anterior do Ministério da Saúde. Desde 1983, a epidemia vem crescendo entre as mulheres. Naquele ano, existiam 40 casos de homens para cada um entre as mulheres. No biênio de 96/97, a proporção caiu de três para um.

O grupo etário feminino mais atingido é de 15 aos 39 anos, que corresponde a 72% dos casos. Ainda predomina a transmissão por relações sexuais (49%), seguida do uso de drogas injetáveis (20%). Os 103.262 casos de AIDS já notificados no país causaram 55 mil mortes.

 

AIDS

Fonte: Jornal do Commercio

Data: 30/07/97

 

As mais recentes novidades sobre a terapêutica da AIDS em adultos e em crianças serão apresentadas durante o seminário internacional Atualização ao Tratamento da Infecção pelo HIV dia 9, no Sheraton. Dois dos mais experientes pesquisadores dos EUA, Paul Volberding e Diana Wara, ambos professores da Universidade da Califórnia, falarão sobre as estratégias que vem utilizando para evitar as conseqüências da síndrome da Imunodeficiência desencadeadas pelo HIV. O seminário está sendo organizado por dois especialistas brasileiros, Mauro Schechter e Maria Lúcia Lessa Giordani.

 

AÇÃO RADICAL

Fonte: O Globo

Data: 30/07/97

 

São tão preocupantes os novos números de casos de AIDS registrados no Brasil - no trimestre, novos oito mil - que o Ministério da Saúde deverá partir para uma ação mais radical. Vai incluir preservativos na cesta básica. O aumento de casos cresceu mais nas populações de baixa renda.

 

TRANSFUSÃO DE SANGUE É USADA CONTRA A AIDS

Fonte: O Globo

Data: 30/07/97

 

 

Uma terapia testa a por médicos britânicos em pacientes com AIDS tem provocado polêmica na comunidade científica. A terapia se baseia em transfusões de plasma entre portadores do vírus HIV. Ela beneficiaria quem doa e quem recebe o sangue, retardando o desenvolvimento da doença. O estudo tem sido criticado por pesquisadores e pelo Conselho de Pesquisa Médica da Grã-Bretanha, que se recusou a financiá-lo.

De acordo com Abraham Karpas, a Universidade de Cambrigde, as pessoas infectadas pelo HIV que doam plasma regularmente desenvolvem a AIDS mais lentamente do que os outros pacientes. Segundo Karpas, os pacientes que receberam plasma de outros soropositivos melhoraram sua taxa de células T. Essas células do sistema imunológico são as mais atingidas pelo HIV. Quanto mais grave a infecção, menor o número de células T no organismo. - Filtrar regularmente os glóbulos brancos, que incluem as células T, pode estimulá-las a se reproduzir. A doação de plasma faz com que o doador tenha os glóbulos brancos e vermelhos retirados e depois reinjetados no organismo - explicou Karpas.

Durante anos, ele e sua equipe testaram um método chamado Terapia de Imunização Passiva, que inclui transfusão de plasma de soropositivos saudáveis a pessoas com AIDS que já desenvolveram as infecções oportunistas. Segundo o cientista, o sangue do doador teria mais anticorpos contra o vírus HIV, que beneficiariam os receptores do sangue.

Segundo Karpas, o método funciona muito bem, fazendo com que parte dos pacientes ganhe peso e adquira maior imunidade ao vírus da AIDS: - Dos 40 pacientes com AIDS que são atendidos na Hospital Ealing, de Londres, metade mostrou melhoras significativas.

Outros pesquisadores, no entanto, se mostram céticos quanto às conclusões do cientista. O infectologista Caio Rosenthal, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, acredita que há uma questão preocupante nas transfusões de plasma. - O doador pode ter mais imunidade, mas, em compensarão pode ter subtipos de HIV com características diferentes dos do receptor, vírus até mais agressivos. A troca de sangue entre soropositivos é perigosa por isso. É necessário que os médicos encarem essas transfusões com cautela disse Rosenthal.

 

 

 

 

 

TRANSFUSÃO DE PLASMA RETARDA AÇÃO DO HIV

Fonte: O Estado de São Paulo

Data: 30/07/97

 

 

Uma controversa terapia contra AIDS envolvendo a transfusão de plasma beneficia não só quem recebe, mas também ajuda a retardar a manifestação da doença nos doadores, disseram pesquisadores ingleses. De acordo com o especialista em sangue Abraharn Karpas, da Universidade de Cambridge, pessoas infectadas como HIV que doaram plasma tiveram a progressão da AIDS mais lenta - 'Nós nem sonhávamos com isso, afirmou.

 

BRASIL DEVERÁ PRODUZIR DROGA CONTRA A AIDS

Fonte: Correio Brasiliense

Data: 30/07/97

 

 

Até o início do ano que vem o Brasil deverá estar produzindo os medicamentos Indinavir Saquinavir, que dificultam a reprodução do HIV, causador da AIDS, e fazem parte do coquetel usado para combater a doença, Atualmente, esses medicamentos são importados e chegam a custar 40% mais caro do que se fossem fabricados no país.

O presidente do Instituto Vital Brasil, Isac Esteves, admitiu que só aguarda o registro dos remédios na Secretaria de Vigilância Sanitária para começar a fabricá-los. "Acredito que até novembro estaremos com esses registros afirmou. Segundo ele, o instituto deverá começar a produção no máximo até fevereiro do ano que vem.

O projeto do Vital Brasil inclui ainda a produção de outros dois remédios usados no coquetel anti-Aids, o AZT e o DDI. Atualmente, o AZT e o DDI só são produzidos por um laboratório oficial, o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe).

Uma caixa de AZT produzida no Brasil custa em média R$ 55, mas o Presidente do Vital Brasil tem esperança de conseguir vender o remédio por um preço um pouco mais baixo. "Como estamos em um grande centro, talvez seja mais barato."

Para a fabricação dos quatro medicamentos, está sendo feito investimento de R$ 900 milhões, numa parceria do instituto com o programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS (DST/AIDS) do Ministério da Saúde.

Segundo o chefe de gabinete da presidência do instituto, Mário Sérgio Ramalho, o dinheiro foi investido na modernização da fábrica e na aquisição de novos equipamentos. "Estamos também adequando máquinas de primeira geração para a fabricação das cápsulas", afirmou. De acordo com contratos pré-acordados com o Ministério da Saúde, serão produzidas inicialmente 300 mil unidades por mês de cada um dos medicamentos que formam o coquetel anti-Aids.

"Como o preço será em média 40% mais baixo do que os dos remédios importados, isso significa que com o mesmo dinheiro o ministério poderá comprar duas vezes e meia mais medicamentos."

 

 

 

 

 

VITAL BRASIL FARÁ COQUETEL ANTI-AIDS

Fonte: Hoje em Dia

Data: 30/07/97

 

RIO - Até o início do ano que vem o Brasil deverá estar produzindo os medicamentos Indinavir e Saquinavir - inibidores de protease que dificultam a reprodução do HIV fazem parte do coquetel anti-Aids. atualmente, esses medicamentos são importados e chegam a custar 40% mais caro do que se fossem fabricados no país. O presidente do instituto tal Brasil, lsac Esteves, admitiu ontem que só está aguardando o registro dos remédios na Secretaria e Vigilância Sanitária para começar fabricá-los.

"Acredito que até novembro este ano estaremos com esses registros", afirmou Esteves. Segundo ele, instituto deverá começar a produção industrial dos medicamentos no máximo a fevereiro ano que vem. O projeto do Vital Brasil inclui ainda a produção de outros dois remédios usados no coquetel anti-Aids, o AZT e o DDI. Atualmente, o AZT e o DDI só são produzidos por um laboratório oficial, o Laboratório Farmacêutico do estado de -Pernambuco (Lafep). Uma caixa de AZT produzida no Brasil custa em média R$ 55, mas o presidente do Vital Brasil tem esperança de conseguir vender por um preço um pouco mais baixo.

Para a fabricação dos quatro medicamentos, está sendo feito um investimento de R$ 900 milhões ma parceria do instituto com o programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS (DST/AIDS) do Ministério da Saúde. Serão produzidas inicialmente 00 mil unidades por mês de cada m dos medicamentos que formam o coquetel. O Ministério irá comprar a produção do Instituto.

 

FRANÇA TENTA PREVENIR AIDS COM COQUETEL

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 25/07/97

 

Médicos franceses vão poder receitar "coquetéis anti-Aids" a pacientes em situação de risco antes mesmo da comprovação da contaminação pelo vírus HIV.

A decisão foi tomada pelo secretário de Estado da Saúde, Bernard Kouchner, e encaminhada a todas as unidades que tratam de doentes de AIDS no país. São considerados em situações de risco pacientes que fizeram sexo sem preservativo ou compartilharam seringas com soropositivos, por exemplo. Hoje, apenas funcionários do setor saúde e em tem direito a essas terapias na França. A aplicação de remédios em situações de "pós-exposição" ao vírus HIV vai depender de receita e acompanhamento médico.

Estatísticas do Ministério da Saúde apontam que a probabilidade de contaminação cai em até 80% quando o paciente é submetido a esse tipo de tratamento após se expor ao risco de contaminação. O tratamento tem duração mínima de um mês. A generalização das terapias pós-exposição" foi inspirada em um programa piloto em San Francisco (Costa Oeste dos EUA).

A medida está dividindo a opinião pública. Algumas associações de doentes de AIDS vêem a generalização das terapias "pós-exposição" como uma atitude democrática. Outras acreditam que essas terapias podem levar ao descuido com relação à prevenção.

O Ministério da Saúde da França precisa fixar as regras em que elas poderão ser aplicadas e levantar fundos para implantar o programa.

 

SAÚDE COMPRA PRESERVATIVOS

Fonte: Correio Brasiliense

Data: 25/07/97

 

 

O ministério da Saúde vai comprar, ainda este ano, cerca de 250 milhões de preservativos. A distribuição será feita, nos próximos meses, dentro dos programas de prevenção a AIDS e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). A compra é maior que a soma de todas feitas até hoje. O primeiro lote, com 50 milhões, chega ao Brasil em agosto. O ministério entende ser uma questão de saúde pública estimular o uso do preservativo. Colocar o uso em questão, uma vez que ele não é 100% eficaz, não justifica a renúncia à prática do sexo seguro. O uso correto do preservativo contribui para a prevenção de doenças e para evitar a gravidez não desejada.

 

 

COMBATE À AIDS JÁ TEM VERBA

Fonte: O Tempo

Data: 25/07/97

 

O Ministério da Saúde prorrogou para 15 de agosto o prazo para que Estados e municípios comprovem a aplicação de pelos menos 50% dos recursos recebidos do programado financiamento do governo federal, patrocinado em conjunto com o Banco Mundial (Bird), para aplicar no combate a AIDS e doenças sexualmente Transmissíveis. A prestação de contas. inicialmente limitada a 15 de julho, é a exigência que o governo faz para liberar mais uma parcela de recursos para os Estados e municípios desenvolverem ações previstas no Plano Operativo Anual 3.

A Prefeitura de São Paulo, segundo informações da assessoria do ministro da Saúde, Carlos Albuquerque. ganhará uma parcela adicional de recursos, ainda a ser definida. A prefeitura, que estava com sua prestação de contas atrasada, conseguiu comprovar os gastos de acordo com a regra do governo. O adicional é para compensar o fato de São Paulo ter ficado fora da distribuição de recursos suplementares feita no Plano Operativo Anual 2.

Até agora, 20 Estados, o Distrito Federal e 33 municípios cumpriram a exigência e estão aptos a levar R$ 13,8 milhões. Ainda não conseguiram alcançar a meta fixada pelo governo Espírito Santo, Alagoas, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe e Santa Catarina. Os municípios em débito são os de Londrina (PR). Vitória (ÈS), Petrópolis (RJ), Poços de Caldas (MG). Porto Alegre (RS). e quatro em São Paulo: Sorocaba, São Bernardo do Campo, Presidente Prudente e Osasco.

 

FUNED LANÇA PROGRAMA DE CONTROLE DA AIDS

Fonte: Hoje em Dia

Data: 28/07/97

 

 

O coordenador do Programa Estadual de Doenças Sexualmente transmissíveis (DST/AIDS), Marco Antônio de Ávila, está sendo aguardado na cidade nesta segunda-feira para uma reunião com o diretor regional de Saúde, Cláudio Pereira, com a Unimontes e outras instituições, quando será lançado o Plano Operativo para o controle da doença, no qual está prevista a realização do teste de dosagem quantitativa de carga viral do HIV para portadores da AIDS no interior do Estado, inclusive em Montes Claros.

Esse exame só será feito em pessoas sabidamente portadoras do HIV, assintomáticas ou já com os sintomas da doença. Ele permite uma indicação precoce e mais precisa da medicação antiviral contra o HIV e possibilita também um acompanhamento mais adequado da resposta ao tratamento. Em caso de elevação considerável da carga viral, significa que o esquema antiviral deve ser modificado. O exame atualmente só é feito na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Dados do Núcleo de Epidemiologia da Diretoria Regional de Saúde indicam que de l989 a abril deste ano, foram registrados 149 casos de AIDS no Norte de Minas, com 53 óbitos, entre homens, mulheres e crianças.

 

COQUETEL DE SOLIDARIEDADE CONTRA A AIDS

Fonte: Estado de Minas

Data: 27/07/97

 

 

Hà quatro anos, a AIDS batia na porta da frente da Copasa. Naquela época, o funcionário '"Billy"' assumiu sua condição de soropositivo e deu a última arrancada ao programa de Apoio o Prevenção à AIDS (APA), que começava a se instalar por iniciativa de outro funcionário. A dupla conseguiu mobilizar os colegas e o programa se consolidou, sendo mais tarde encampado pela direção da empresa. Hoje, "Billy" já está morto mas deixou, sem dúvida, uma herança positiva.

Os voluntários do APA acreditam que o sucesso do programa se deve ao fato do movimento ter começado de baixo para cima, ou melhor, ter germinado entre os funcionários. São 37 voluntários no interior e 21 na região metropolitana de Belo Horizonte, encarregados de repassar informações para os colegas em região as mas de prevenção, contágio, tratamento e sintomas da doença.

No APA, não há distinção de cargo ou salário. Participam supervisores e técnicos de setores dispares como informática e financeiro, além de profissões naturalmente afins ao programa como médicos, assistentes sociais e psicólogos. As tarefas também são definidas conforme a aptidão de cada um. Jorge Camargo e Jordelino Araújo, este último ator, criaram o grupo teatral 'Despretensiosos APArte', que vai lançar uma nova peça teatral educativa em outubro.

Já Cida Miranda, da Divisão de Licitações, é responsável pelo jornal interno 'Momento Positivo" que divulga as últimas novidades em termos de tratamento. Patrícia Otoni, Cida Miranda, Aparecida Lacerda, Aparecida Siqueira, Nadir Campos Athayde e Maria Lúcia Moura se dividem no apoio direto aos soropositivos, e na confecção de cartazes e campanhas. No Dia dos Namorados, o programa distribuiu camisinhas a todos os funcionários da Copasa no Estado, acompanhadas de unia mensagem educativa

Esses funcionários são apenas alguns entre o corpo de pessoal que participam do APA, que abrange todo o Estado. No início, os voluntários sentiram na pele o preconceito por parte dos próprios colegas. A coordenadora Maria Luíza Barbosa de Vasconcelos não desanima: 'Ainda existe muita desinformação, mas temos certeza de que o programa não pode parar, sabemos que cada um tem a sua hora para se sensibilizar'.

Desde a criação do APA, foram identificados 12 portadores de HIV na Copasa. Destes, quatro já morreram, cinco continuam trabalhando e três estão de licença. Em termos de prevenção à doença, 100%. dos 9.500 funcionários da Copasa receberam algum tipo de informação sobre a AIDS. A partir deste ano, a equipe pretende priorizar o portador assintomático (que não desenvolveu os sintomas da doença) e a pessoa que suspeita ser portadora e não assume.

 

COPASA DISTRIBUI MEDICAMENTO

Fonte: Estado de Minas

Data: 27/07/97

 

A principal conquista do grupo de voluntários, nos quatro anos de trabalho, foi conseguir que a empresa bancasse a compra do chamado coquetel de remédios contra a AIDS. O coquetel, uma combinação de drogas antivirais que aumenta a sobrevida do paciente de dois para até 20 anos, é atualmente a única esperança dos soropositivos em termos de tratamento. Para o portador de HIV, um dos maiores dramas é financiar a compra de remédios como o Retrovir (ou AZT), Videx, Zerit e outros, em sua maioria importados e caros.

Assistência - Ao todo, a Copasa gasta em média R$ 1,2 mil mensais por paciente com o programa. A compra de medicamentos representa cerca de 80% deste valor. Em segundo lugar, vem a demanda por exames laboratoriais, seguida dos atendimentos médico, odontológico e psicológico. Para resguardar o sigilo, o paciente normalmente prefere os convênios, cujas consultas são totalmente gratuitas para o portador de HIV. Outra alternativa é entrar em licença médica, com direito a retornar ao trabalho, ou recorrer à aposentadoria por invalidez. "Enquanto ele tiver força e estiver bem, continua trabalhando, conforme a vontade dele', comenta a coordenadora do APA , Maria Luíza Barbosa. (SK)

 

PÂNICO DIANTE DA DOENÇA

Fonte: Estado de Minas

Data: 27/07/97

 

 

'Helbert' (o nome é fictício) trabalha na Copasa desde novo, há mais ou menos 20 anos. Certo dia de dezembro, ao observar uns cartazes sobre prevenção de AIDS divulgados pelo Apa, desconfiou que estava com a doença. Resistiu durante um tempo até decidir fazer o exame anti-HIV. 'Eu senti a loucura e pedi para fazer o exame". Quando peguei o resultado, saí correndo pelo pátio afora, gritando desesperado', conta ele.

Neste dia fatídico, o vírus foi maior do que Helbert. Ele foi ao fundo do poço, Chegou a pesar 50 quilos. Teve pneumonia, herpes zóster e outras infecções oportunistas. Pediu licença na empresa e isolou-se espontaneamente por um ano. 'Quando descobri, comprei uma cova no cemitério que a propaganda anunciava. É um pré-aviso de que você está morto", comenta.

Após passar por tanto sofrimento, Helbert reformulou sua opinião, descobrindo que AIDS mata se você não souber enfrenta-la de frente: 'Se não tiver tratamento e cuidado, você morre mesmo'. Nesse momento, o funcionário da Copasa decidiu inverter a lógica da doença, fazendo uso dos instrumentos que a empresa oferecia.

Helbert procurou psicólogo, neurologista e outros profissionais. Optou pelo convênio, para manter o sigilo. Custeado pela empresa, fez uso do coquetel de remédios e passou a andar de táxi, para não desperdiçar energia. 'Minha qualidade de vida melhorou', afirma o soropositivo, cujo exame hoje demonstra uma espantosa redução do número de células infectadas pelo vírus.

Mensagem - Com a pronta recuperação, Helbert já pensa em voltar ao trabalho. De vez em quando, dá uma passada na empresa e conversa com os funcionários amigos, prestando o seu depoimento pessoal. 'É preciso que o grupo de soropositivos da Copasa fique pequeno.' Em determinada época, escreveu uma mensagem anônima aos colegas, que foi divulgada pelos representantes do Apa. 'Amor, carinho e respeito - este é o coquetel', conclui. (SK)

 

PAÍS REGISTRA MAIS 8 MIL CASOS DE AIDS

Fonte: O Estado de São Paulo

Data: 25/07/97

 

 

Mais 8 mil casos de AIDS foram registrados no País somente no período de março a julho. O dado ainda não foi apresentado oficialmente. A divulgação deverá ocorrer tão logo fique pronto o Boletim Epidemiológico de AIDS do mês de julho. Produzido pela Coordenação Nacional de doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS do Ministério da Saúde, o boletim está sendo revisado e seguirá nos próximos dias para a gráfica.

Os balneários de Itajaí e de Camboriú, situados no litoral de Santa Catarina, continuam como primeiro e segundo colocados, respectivamente, no ranking dos municípios com maior incidência de pessoas contaminadas pelo HIV. Os quatro municípios seguintes da lista são de São Paulo: Santos, Ribeirão Preto, Bebedouro e S. J. do Rio Preto. O boletim vai registrar uma pequena alteração de posição. São José do Rio Preto, que no último Boletim Epidemiológico, divulgado em 19 de março, aparecia em quarto colocado depois de Santos, está agora atrás de Ribeirão Preto e Bebedouro.

Congresso - A rede hospitalar ligada ao Serviço único de Saúde (SUS) atendeu 668.842 pessoas em 1996, vitimas de traumas acidentais diversos, a maioria provocados por colisões de automóveis. O custo desses atendimentos foi de R$ 230 milhões quantia considerada muito alta pelo Ministério da Saúde, que representa 30% das verbas do SUS, Para tentar diminuir o impacto dos procedimento tos no orçamento da Saúde, o secretário de Programas Especiais do Ministério da Saúde, Cid Roberto Bertozzo Pimenta anunciou ontem, no Rio, a liberação de R$ 20,92 milhões para treinamento de pessoal capacitado em resgate e primeiros socorros.

'Isso possibilitará um atendimento de emergência mais moderno e eficaz', explicou Pimentel. Esse dinheiro será distribuído entre o Corpo de Bombeiros das 38 principais cidades do País, todas com população acima de 500 mil habitantes. A medida tem por objetivo reduzir em 10% a mortalidade por causas externas, como acidentes de trânsito, homicídios e afogamentos, em decorrência do surgimento ou agravamento de traumas desde o momento do fato consumado até a chegada do paciente ao hospital.

O SUS tem I.184 hospitais credenciados para o atendimento de urgências e emergências em quase todo o Pais, à exceção dos Estados do Piauí e de Roraima. Desse total de 668 mil pacientes com lesão traumática, 18.257 morreram.

 

 

 

 

MULHER PROTESTA NUA EM UBERABA E EXIGE EMPREGO AO PROMOTOR

Fonte: O Tempo

Data: 29/07/97

 

 

Uma mulher dependente de drogas e portadora do vírus HIV está desafiando a polícia e a justiça em Uberaba. Há uma semana ela desfila sem roupas pelas ruas da cidade para exigir emprego. Na semana passada. Cristina Maria de Souza, 21 anos, que mora num albergue, apresentou-se nua ao promotor Sylvio Fausto de Oliveira, portando apenas uma Carreira de Trabalho.

Ela exige a contratação no albergue, onde trabalha pagar a alimentação e moradia. O Promotor, não conseguiu resolver o problema, mas deu a Cristina uma beca, usada em julgamentos. Depois de vesti-la, a mulher disse que não se achava digna de usar uma beca. mas aceitou a nova roupa. Sylvio Fausto de Oliveira ainda tentou encontrar emprego para Cristina, mas seus antecedentes e sua dependência das drogas dificultam as negociações.

A prefeitura de Uberaba alega não poder contratá-la porque qualquer admissão no serviço público tem que ser feita através de concurso. Agora, justiça, polícia e prefeitura não sabem o que fazer com a mulher. que na semana passada chegou a ser presa depois de depredar uma loja.

Ela não pode ficar detida porque é considerada deficiente mental. recusa-se a ficar internada e alega não ser louca. "Eu só preciso de amor, independente de laço sangüíneo. não sofro de problemas mentais', disse ao promotor.

Na semana passada. a Secretaria Municipal de Trabalho e Ação Social mandou Cristina para uma instituição que cuida de doentes mentais na cidade de Araxá. Ela se recusou a ficar no local. Preferiu voltar para as ruas de Uberaba e garantiu que vai andar nua até que seja feito um acordo entre prefeitura e Justiça para registra-la como funcionária do albergue.

 

PROSTITUIÇÃO PODE SER REGULAMENTADA

Fonte: Folha de São Paulo

Data: 25/07/97

 

 

O deputado Wigberto Tartuce (PPB-DF) vai apresentar hoje à Mesa da Câmara um projeto de lei que torna livre o exercício da prostituição. Pelo projeto, os "profissionais" podem se inscrever como segurados da Previdência Social.

O projeto considera profissional aquele que, "pessoalmente e mediante remuneração ou vantagem, utilizando do próprio corpo, exerce o comércio sexual". É vedado o exercício profissional aos menores de 18 anos.

O artigo terceiro obriga os profissionais a se cadastrarem unidades de saúde e o exame mensal para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Os exames serão anotados em cartão de saúde de acompanhamento dessas doenças.

Tartuce disse que o seu objetivo é evitar a disseminação do vírus da AIDS, principalmente entre os jovens. "Estudei várias formas de fazer isso. Concluí que a melhor delas é a regulamentação da prostituição", disse o deputado.

Ele planejava apresentar o projeto ontem. Transferiu para hoje para modificar a ementa (apresentação) do projeto, que dizia: "Dispõe sobre o exercício da prostituição e dá outras providências".

A ementa terá o seguinte texto: "Dispõe sobre o exercício de atividades exercidas por aqueles que as pratiquem em desacordo com os costumes morais ou atentatória ao pudor".

O deputado disse que temer por uma Repercussão negativa. "Devem existir aqueles que se coloquem contra. Isso é normal."

Na justificativa do projeto, Tartuce diz que a prostituição, "como um serviço controlado pelo Estado, só é novidade nos tempos modernos. Muitos povos da antigüidade consideravam uma prática aceitável, e, alguns deles, como os babilônios, um rito sagrado."". -

O 2 vice-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), que lidera o movimento contra o projeto sobre união civil de homossexuais, já avisou que votará contra o projeto de Tartuce.

 

MINEIRO PEDALA PARA BARRAR A AIDS

Fonte: Estado de Minas

Data: 24/07/97

 

Após percorrer 1,9 mil quilômetros e um total de 29 cidades entre Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, o ciclista mineiro José Carlos Braga, 33 anos, chegou ontem a Juiz de Fora. Mas ele ainda está longe de encerrar seu caminho: faltam mais 4,1 mil quilômetros até o destino final, em Brasília. O périplo, que começou em maio e deve terminar em um ano, pretende cobrir mais de 80 cidades em sete Estados brasileiros, para divulgar informações sobre a AIDS.

Braga fez ontem uma palestra para o Grupo Casa, que atende a 60 portadores do HIV No domingo, ele segue pedalando para Barbacena e São João dei Rei. Do Sul de Minas, o roteiro entra por São Paulo, Paraná, depois Goiás e Distrito Federal. Detalhe: a bicicleta é .um empréstimo do Ministério da Saúde, que cobre 25% das despesas da aventura.

 

Ministério da Saúde deve distribuir 210 mil preservativos em MG

Fonte: O Tempo

Data: 06/02/97

 

 

A campanha "É do Peru", do Ministério da Saúde, deve distribuir cerca de 210 mil preservativos em Minas Gerais como forma de prevenção à Aids durante o Carnaval. As camisinhas serão distribuídas nas 25 Diretorias Regionais que compõem a Secretaria Estadual de Saúde.

A prioridade da campanlia no Estado são as cidades históricas, onde o Carnaval costuma atrair o maior número de turistas e onde o risco de contaminação acaba aumentando.

Em Belo Horizonte a Secretaria Municipal de Saúde vai distribuir 22 mil camisinhas nos bailes populares que acontecerão nas nove administrações regionais.

 

Além das camisinhas os foliões também também receberão fitas e leques alusivos à campannha "Carnaval do Peru é Carnaval com Camisinha".

O presidente do Grupo de' Amparo e Prevenção à Aids (Gapa) em Minas Gerais, Roberto Chateaubriand Domingues, elogiou as novas campanhas do Ministério da Saúde porque faz com que as pessoas discutam sobre a Aids e colocam o tema na boca do povo.

O presidente do Gapa também alerlou que as Campanhas devem ser sistemáticas e continuadas para terem efeito. "As campanlias realizadas apenas no Carnaval reforçam a idéia de que é apenas no prazer e diversão que a doença se instala, o que é uma inverdade", alertou.

 

Disque Aids: 0800.61.2437 - serviço gratuito de informação

 

Proteção ainda pesa no bolso

Fonte: Estado de Minas

Data: 3/02/97

 

Para o Grupo de Apoio e Prevenção à Aids de Minas Gerais (Gapa-MG) não é difícil explicar os baixos índices de utilização de preservativos, que em Belo Horizonte giram em torno de uma camisinha por mês por habitante. Além da falta de informação, da crença de que doenças sexuali-nente transmissíveis e Aids só afetam pessoas de grupos de risco e do medo de atrapalhar a "perfomance", muitos brasileiros não compram preservativos porque são um produto caro.

Se um consumidor utilizasse a camisinha que custa entre R$0,30 a 0,50 a unidade, sempre que mantivesse relações sexuais, gastaria no minímo R$ 12,00 por mês, o o que equivale a 10% do salário mínimo. Em países do primeiro mundo, como nos Estados Unidos, por exemplo, a unidade sai por R$ O,15. A diferença ainda é maior quando se comparam os salários mínimnos, que nos Estados Unidos é de U$ 1200,00. Para o Gapa a saída, além de uma maciça camipanha de. educação, está na redução de impostos para que os preservativos caiam de preço. 'Sabemos que isso e possível e já mostramos isso ao governo', afirmou Roberto Chateaubriand, presidente do Gapa-MG.

 

 

 

 

 

 

Importadas

 

 

A grande preocupação da instituição no momento é com o aumento do consumo de camisinhas vendidas por sacoleiras, principalmente na zona grande de Belo Horizonte, que compreende as regiões das rua Oiapoque, Guaicurus, São Paulo e os Bairros Bonfim e Lagoinha.

O produto entra no Brasil ilegalmente, vindo do Paraguai, transportado e armazenado em condições que aceleram o deterioramento. As camisinhas contrabandeadas são vendidas a R$0,10 e por isso são as preferidas por prostitutas freqüentadores das casas de prostituição.-

As marcas mais vendidas nessas regiões são Playbuy e Deluxe. "Não podemos í'alar da qualidade delas, porque nem conehecemos os seus registros. Elas estão apresentando muito problema de estouro. Pode ser que a deterioração aconteça na viagem ou no estocamento incorreto", alertou Roberto Chateaubriand. O presidente do Gapa ainda alertou para a compra de camisinhas em lojas credenciadas. O principal cuidado é a verificação do prazo de validade.

 

Aids

Fonte: Diário do Comércio

Data: 5/02/97

 

Os casos -de Aids no continente americano aumentaram 3,13% no ano passado. A doença já atingiu 742,2 mil pessoas no continente desde 1979, informou ontem a Organização Panamerícana de Saúde. No total, morreram 437,4 mil doentes nas Américas. Em todo o mundo o número de novas infecções pelo HIV, durante 1996 alcançou 3,1 milhões,' o que supõe uma média de 8.500 infecções diárias.'

 

Ministério suspeita de venda irregular

Fonte: O Tempo

Data: 01/02/97

 

 

O Ministério da Saúde suspeita que o coquetel de remédios anti-Aids, distríbuído,.gratuitamente pela rede de saúde pública, esteja sendo negociado em um mercado paralelo. A suspeita começou a ser levantada quando o Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transrnissíveis e Aids, do Ministério, recebeu no início deste mês pedidos dos estados de novas remessas de medicamentos. A previsão inicial era de que os 10 mil coquetéis distribuídos em dezembro do ano passado abastecessem os hospitais até março.

As drogas que compõem o coquetel custaram ao governo R$ 50 milhões. Os prejuízos ainda não foram calculados. Os técnicos do programa observaram que não há controle na distribuição dos medicamentos das secretarias para os hospitais e para os pacientes. Isso possibilitou que vários pacientes pudessem fazer um estoque particular das drogas, comprometendo o tratamento de outros pacientes.

Outro problema detectado é que vários médicos estão prescrevendo os inibidores de protease - saquinavir, indinavir e ritonavir -, que compõem o coquetel, para pacientes soropositivos, mas que ainda não desenvolveram os sintomas da doença. Um documento elaborado pela equipe técnica do programa recomenda o uso, dessas drogas associadas ao AZT ou outros medicamentos, apenas para pacientes com quadro de piora clínica ou imunológica.

Efeftos colaterais

Os pacientes que ainda não desenvolveram os sintomas da doença devem receber a terapia inaugural com AZT mais um dos ínibidores de transcriptase - ddl, ddC ou 3TC. Estes pacientes devem ter os exames de CD4 com taxas menores de 500. As exceções são apenas para as gestantes e filhos de mães HIV sitivo. O uso inadequado do coquetel de drogas pode antecipar a resistência do vírus ao medicamento e quando o paciente necessitar não fará, mais o efeito. E sofrem efeitos colaterais como náuseas, anemias, alterações neurológicas e problemas renais.

Estados receberão nova remessa de medicamentos

Os técnicos do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS denunciam que a prescrição médica segue. a propaganda dos laboratórios, fazendo com que um estado use apenas um dos inibidores. A justificatíva. dos governos dos estados para requerer novas remessas é a de que há um número de casos de Aids superior ao informado inicialmente. Os assessores do Programa Nacional de DST/Aids recomendam. que as secretarias regionalizem a distribuição e que os médicos sigam.a terapia antiretroviral recomendada pelo Ministérío.

.O Ministério vai enviar uma remessa extra dos inibidores de protease em fevereiro para evitar o desabastecimento nos estados. Mas as próximas remessas só serão enviadas após os estados promoverem reuniões com os hospitais e os médicos para fazer o controle da distribuição como .aconteçe em São Paulo e Pernambuco.

Contrapartida

Neste mês, os técnicos vão .avaliar as informações do Boletim Mensal para Avaliação do Uso de Medicamentos e o Mapa de Controle de Estoque preenchidos pelas Secretarias de Saúde para fazer as reposições. A expectativa é de que os governos dos estados também apresentem uma contrapartida na compra dos medicamentos.

 

Coquetel - Juiz de Fora

Fonte: Hoje em Dia

Data: 01/02/97

 

 

O número de notificação de casos de Aids em Jotaefe tem crescido muito nos últimos dias. Só este mês, mais de 80 casos foram notificados no Centro de Orientação e Apoio Sorológico. O coordenador, José Luiz Guedes, nomeou o fenômeno de "efeito coquetel".

Desde que o Governo resolveu assumir o tratamento da doença muito gente tem aparecido nos postos para conseguir os caríssimos medicamentos.

 

AIDS

Fonte: Hoje em Dia

Data: 31/01/97

 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde mais de 3 milhões de pessoas ,contraíram o vírus da Aíds em 96, o que representa uma média de 8 mil e quinhentas infecções por dia. Cerca de um milhão e quinhentas mil pessoas, entre os quais 350 mil crianças, morreram de Aids em todo o mundo no ano passado. Tudo indica que as pessoas precisam se cuidar mais, pois a doença vem se alastrando por todo o mundo de forma devastadora.

 

 

Número de pacientes com AIDS em todo país já chega a 50 mil

Fonte: O Tempo

Data: 06/02/97

 

O número de pacientes com Aids regístrados até dezembro no Brasil superou em 38,9% as expectativas do Ministério da Saúde. Em vez dos 36 mil esperados, eram 50 mil.

Avalia-se no Ministério que, com o anúncio de distribuição gratuita do coquetel no ano passado, muitos portadores de Aids que escondiam a doença passaram a procurar a rede pública para se cadastrar.

"Ninguém esperava que houvesse tantos casos sem notificação. Muitos pacientes que se tratavam com médicos particulares e não notificavam a doença para as autoridades sanitárias tiveram de se identificar" afirmou Pedro Chequer, coordenador do Programa Nacional de DST/Aids.

Devido ao fenômeno, o Minístério da Saúde teve de dobrar a compra de medicamentos anti-HIV em 1997, em uma operação de emergência para poder atender pacientes de Aids que precisam do. coquetel.

Com isso, em vez de 10 mil. doentes, 20 mil pacientes de Aids passarão a receber a terapia tripla -um coquetel de remédios que inclui o AZT combinado ao ddl, ddC ou 3TC, além de um dos três tipos de anti-retrovirais (lndinavir, Saquinavir ou Ritonavir).

Em alguns municípios de São Paulo, os casos notificados em 1996 aumentaram mais de 30%. "Tivemos de rever todo o planejamento", disse Chequer.

No ano passado, o ministério havia calculado que o país teria neste ano 36 mil pessoas vivendo com Aids. e que 3O% delas deveriam receber o coquetel de,antilretrovirais.

Entretanto, o último boletim epidemiológico -que traz os casos notificados até dezembro de 1996- apontava que havia 50 mil brasileiros vivendo com Aids.

Se as notificações continuarem aumentando acima das nossas expectativas, teremos de rever os cálculos novamente", disse Chequer.

Outros motivos que obrigaram o ministério a dobrar a compra foram as mandados judiciais que obrigaremos Estados a fornecer medicamentos a pacientes fora das especificações preestabelecidas. Para que os remédios não faltem: o estoque que foi comprado para durar até dezembro de 1997 será distribuído aos Estados imediatamente e deverão durar até julho.

O Ministério já está providenciando a compra dos novos remédios que serão usados a partir de julho. Para isso, espera verba suplementar que seria liberada pelo governo federal.

Para 1998, os gastos com a compra dos medicamentos antiHIV terá de passar de R$ 240 milhões para R$ 700 milhões.

 

AIDS em números

Fonte: Estado de Minas

Data: 31/01/97

 

 

Confete, serpentina e camisinha

Fonte: Estado de São Paulo

Data: 30/01/97

 

O carnaval vem aí e muita gente pretende cair na gandaia.

E não há mal nenhum em sambar nos salões, paquerar e divertir-se com os amigos. Mas, no meio de tanta alegria, ninguém pode se esquecer da aids e, principalmente, de usar a bendita camisinha. Para quem não sabe, dados mostram que, por mais informações que as pessoas tenham sobre o assunto, o índice de infecção do IIIV está crescendo a cada ano.

O Ministério da Saúde notificou apenas de setembro a novembro, 3.595 novos casos diagnosticados de aids no Brasil. E o número de pessoas infectadas pelo HIV desde 1980 até esse período, é de 94.997 casos comprovados. Isso sem contar aqueles que nem imaginam ser soropositivos. E uma triste notícia aos paulistas: a Região Sudeste é a campeã de casos de aids, com 71.669. Seguida do Sul, com 9.931 casos, do Nordeste, com 7.478, do Centro-Oeste, com 4.269 e do Norte, com 1.650.

Os soropositivos no Estado de São Paulo representam 52% dos doentes de todo o País. Com certeza, esses números aumentaram na virada de 1997. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que 500 mil pessoas já estão infectadas pelo HIV no Brasil. Para piorar ainda mais esse triste quadro, sabe-se que dependentes de álcool, cocaína, entre outros, não praticam sexo seguro e, estão expostos à aids como qualquer usuário de drogas injetáveis.

O Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade de São Paulo, revela em sua pesquiisa que a alteração de consciência inibe o uso sistemático de camisinha. O estudo confirma que dos 513 dependentes de drogas entrevistados, 78,9% não têm percepção adequada do risco de transmissão. Mesmo com algumas cervejinhas na cabeça, ninguém deve marcar bobeira na Hora H.

 

 

CARNAVAL: PARCERIA COM A INICIATIVA PRIVADA VISA AUMENTAR A REFLEXÃO SOBRE A DOENÇA

Fonte: Diário da Tarde

Data: 04/02/97

 

O Centro de Convivência Cazuza, em Betim é uma unidade de referência na Assistência Domiciliar Terapêutica (ADT) e prevenção integral às DST/Aids), promove, pelo quarto ano consecutivo, uma campanha de prevenção contra a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis junto aos moradores da cidade, por ocasião do Carnaval

Para este ano, a campanha, cujo slogan é Pinte o 7 com camisinha, pretende ampliar a conscientização da comunidade em relação à doença e a solidariedade, no tratamento dos doentes da síndrome. Para isso, 20 mil folders educativos serão distribuidos na semana do Carnaval, além de 1,5 mil cartazes, 15 mil preservativos e 10 mil leques com a letra do jingle da campanha Tchan do Cazuza (uma paródia do hit do sucesso do grupo É o Tchan).

A parceria com a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) da cidade garantirá a participação do setor privado na campanha. Trezentas camisetas serão sorteadas durante os bailes pré-carnavalescos e nos quatro dias de folia, previstos para as sete regionais do município.

Outras ações também farão parte da campanha, como, por exemplo, no Hospital Público Regional de Beüm, recém-credenciado pelo ministério da Saúde para o atendimento de doentes de Aids. No Hospital, além dos cartazes afixados em diversos pontos do prédio de seis andares, o sistema central de som estará dando dicas de prevenção e todos os funcionários receberão anexados aos seus contracheques de janeiro um folder explicativo sobre Aids e uma camisinha. "A idéia é sensibilizar as pessoas, para que elas não se esqueçam da prevenção durante a folia do Carnaval", explica a psicóloga Jussara Estela Arthuso, gerente do Centro de Convivência Cazuza.

 

NÚMEROS

 

A preocupação da psicóloga está embasada, principalmente, no crescente número de casos notificados de Aids em Betim. Até agosto do ano passado, 116 casos já haviam sido noüflcados- no município. O Centro de Convivência Cazuza ainda não dispõe de dados sobre o número de portadores do vírus HIV na cidade (trabalho nesse sentido ainda está sendo estruturado, junto com a Vigilância Epidemiológica), mas as estimatívas são alarmantes.

Segundo Jussara Arthuso, o Ministério da Saúde calcula o número de portadores da doença multiplicando cada caso notificado por 60, a cada três anos. O resultado da operação é novamente multiplicado, daí a 36 meses, e assim por diante. O primeiro caso de Aids em Betim foi notificado em 1987 (nove anos atrás). De lá para cá, o avanço da doença, entre homens o mulheres, sofreu sérias mudanças.

Em 1992, para cada quatro homens infectados, havia uma mulher com Aids. Um ano depois, a relação passou de 13 para 1; em 94, de 10 para I, e, em 95, a relação voltou a se equilibrar, em 3 por 1. Mas em agosto do ano passado, o dado assustou. Para cada homem portador da doença havia 2 mulheres, enquanto a relação homem/mulher no Brasil permanecia, desde 94, em 3 por 1.

"Em Betím, houve um aumento considerável de casos em relação aos anteriores, a partir de 1993. A faixa etária mais acometida foi entro 20 e 40 anos. Sabe-se que o período de incubação do HIV varia em torno de 10 anos e pelos dados apresentados, a faixa etária de provável infecção seria a mais jovem, entre os 15 e 20 anos", diz Jussara Arthuso.

Até agosto de 96, de acordo com dados do Centro de Convivência Cazuza, no Brasil o total de casos de Aids era de 94-304. Até aquela data, Minas Gerais já registrava 18.226 casos, sendo 6.200 só em Belo Horizonte, e 116 em Betim. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ocorrem, anualmente, 250 milhões de novas infecções no mundo; e, no Brasil, as esümativas, apontam de 3,5 a 4 milhões de novos episódios de DSTs por ano.

A infecção pelo HIV é a DST de maior importâncía em termo de morbidade, mortalidade, alto custo de assistência à saúde e conseqüências sócio-emocionais", garante Jussara Arthuso, lembrando ainda: "A presença de outras DSTs pode aumentar o risco de transmissão e aquisição do HIV".

O município de Betím tem 376 quilômetros quadrados, l l l de zona urbana e l5OKm quadrados de zona rural. Está localizado na Região Metropohtana de Belo Horizonte e tem uma população estimada de 230 mil habitantes. É um importante pólo industrial, onde se localiza a Fiat Automóveis e a Reffiiaria de Petróleo Gabriel Passos. Contudo, o desenvolvimento econômico ainda não atingiu a toda a população.

O censo demográfico realizado em 1991 registrou 32% da população com rendimento domiciliar de apenas um salário. Há grande incidência de população sem qualificação, ampliando os problemas sociais já existentes. Os 116 casos notilicados de Aids no município, até agosto de 96, podem ser equiparados ao número de casos de cidades como Montes Claros, Governador Valadares e Passos, com presença de população maior que a existente em Betim.

"Os dados referentes à incidência da doença ainda requerem maior atenção ao trabalhá-los. Não se sabe, ainda, a dimensão exata da doença, pois, por um lado existe o fato de que os portadores do vírus podem ficar longos períodos (lO a 12 anos) sem que a doença se manifeste e, por outro, há subnotificação do número de casos de Aids", pondera Jussara Arthuso.

 

PREVENÇÃO

 

De acordo com as estatísticas, 86% dos casos de Aíds notificados no Brasil tiveram na via sexual seu principal meio de proliferação principalmente na faixa etária entre 15 e 20 anos, pessoas em período produtivo e reprodutivo, de ambos os sexos.

Para os técnicos do Centro de Convivência Cazuza, devido ao fato de a ciência ainda não vislumbrar a cura nos próximos anos, ou mesmo a tão sonhada vacina, é importante efetivar a revenção continuada, objetivando a construção coletiva de saberes e novas representações acerca das DSTs/AIDS, que perpassem o comprometimento com a vida e integrar as Unidades de Saúde da Rede SUS/Bethn, as diversas secretarias municipais, bem como os sindicatos e organizações civis, de forma mais efetiva, no sentido de viabilizar as propostas de prevenção às DSTs/Aids. Tais própostas estão sendo trabalhadas através da capacitação dos profissionais da rede, da formação de multiplicadores de prevenção na comunidade e da intervenção junto aos profissionais do sexo. A prevenção segue seu caminho através de campanhas junto a grandes públicos (como o Carnaval), além de pesquisas e capacitação (infra-estrutura) da rede. "As pessoas têm que avaliar o próprio risco de contaminação de forma real, sem superestimá-lo ou subestimá-lo", resume Jussara Arthuso.

 

 

País se organiza para lutar contra a AIDS

 

A Coordenação Nacional de DST/Aids financia projetos de tratainento. Até o fmal do ano passado, contava com 41 projetos ambulatoriais no País. Desses, três estão em Minas Gerais. A Secretaria Municipal de Saúde de Betím, no momento, tem seu projeto do SAE- (Serviço de Atendimento Especializado) em avaliação para financiamento. Mesmo assim, já colocou em funcionameiito o serviço, desde o dia dois de dezembro de 1996.

Até dezembro de 1996, existiam 307 hospitais credenciados no Brasil para internação de pacientes com Aids, sendo 19 em Minas Gerais; dentre eles o Hospital Público Regional de Betim, credenciado no dia 26 de dezembro, através da portaria número 237 do Ministério da Saúde. Essa conquista é um grande avanço para a saúde dos betinenses, que não mais recorrerão a pedidos de vagas em Belo Horizonte, cidade bastante saturada por atender quase todo o Estado.

O Ministério da Saúde financia, ainda, 17 projetos de ADT (Assistência Domiciliar Terapêutica) em todo o País, três em Minas, nas cidades de Uberlândia, Belo Horizonte e Betim. O trabalho de ADT é prestado a pacientes em fase avançada da doença e aos seus fainiliares, inclusive com atendimento psicólogico.

ASSISTÊNCIA EM BETIM

A assistência às DSTs/AIDS em Betim é feita de forma integral. Toda rede SUS do município está autorizada a colher material, para realização de exame antí-HIV, a assistência odontológica é assegurada aos portadores de HIV; o SAE, (Serviço de Atendimento especializado) efetiva diagnóstico diferenciado e garante o tratamento ambulatorial dos portadores do vírus HIV, que solicitarem acompanhamento; a ADT, além de assistir de perto os pacientes em fase avançada da doença, atende também aos famihares.

O Hospital Público Regional de Betim atende aos casos de internação de AIDS na.Unidade de Clínica Médica. Outras Doenças Sexualmente Transmissíveis recebem tratamento arnbulatorial em quatro Unidades Básicas da Rede (Angola, Citrolândia, Alcides Brás e Homero Gil). "Até julho deste ano, todas as 18 Unidades Básicas de Saúde da rede SUS/Betim estarão capacitadas para o atendimento", garante a gerente do Centro de Convivência Cazuza.

 

Soropositivos querem exame de carga viral

Fonte: Hoje em Dia

Data: 31/01/97

 

JUIZ DE FORA - Os três infectados pelo HIV - que obtiveram na Justiça o direito de receber medicamentos que compõem o coquetel anti-Aids e de fazer três tipos de exames de sangue - conseguiram ontem os remédios mas continuam lamentando a intransigênciacia do poder público em cumprir na íntegra a determinação da Justiça. A liminar foi concedida em meados de janeiro. mas somente ontem foi cumprida e ainda assim sem a coleta de sangue para o exame de carga víral. prescrito pelos médicos, mas não autorizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os medicamentos 3TC e Indinavir, que não estavam disponíveis na Secretaria, foram liberados ontem, em quantidades suficientes para um mês. Além desses remédios, os três também utilizam o AZT, cuj'a distribuição está regular.

Ricardo César Toledo, 37 anos, Danilo Furtado e outro portador que não quer ver seu nome divulgado fizeram ontem pela coleta de sangue para exames do CD4 e CD8. Também ontem Danilo conseguiu os medicamientos, repassados pela Secretaria ao Hospital Universitário. Segundo a advogada Edina Pinto, se no próximo mês as mesmas dificuldades forem percebidas ela vai comunicar o fato ao juiz César Westin e pedir novas providências.

 

"Campanha do peru"

Fonte: Diário da Tarde

Data: 31/01/97

 

A Secretaria de Estado da Saúde começa a distribuit hoje, o material da 'Campanha do Peru", lançada pelo Ministério da Saúde (MS) para prevenir a AIDS no Carnaval. O tema central da campanha é "Camaval do peru é Carnaval com camisinha' e nas peças publicitárias veiculadas pelo Ministério da Saúde a ave é citada com duplo sentido.

Na tentativa de advertir os foliões, o MS está distribuindo camisinhas, cartazes, fitas para se colocar na cabeça e ventarolas (leques). Para Minas Gerais foram enviados cinco mil leques, que trazem a marchinha do peru que não perde a festa e não fica de fora, cinco mil cartazes, cinco fitas para a cabeça nas cores vermelho e rosa-choque - As vermelhas trazem a inscrição "Camisinha é do peru' e as rosa choque 'Eu uso camisinha'. Acondicionadas em porta-preservativos com um desenho de um peru, serão distribuídas 210 mil camisinhas em todo o Estado. Belo Horizonte está recebendo 40 mil unidades, Juiz de Fora 30 mil, Poços de Caldas, cinco mil, etc. De acordo com o coordenador estadual do Programa de Prevenção e Controle da DST/Aids, Marco Antônio de Ávüa Vitória, cidades com tradição de Camaval terão prioridade no recebimento do material da campanha, como Ouro Preto, Diamantina, São João del-Rei, Pirapora, entre outras.

VIRUS

Carnaval é uma época propícia Para se falar e prevenir a Aids, ressalta o coordenador Marco Antônio Vitória. No entanto, frisa que as campanhas não podem e nem devem ser limitadas à épocas de festas, principalmente se se levar em consideração que diariamente sete mil pessoas se infectam com o vírus da Aids no mundo, perfazendo um total de 24 milhões de portadores do vírus, sendo Oito milhões com Aids.

E os números de portadores do HIV no Brasil, com 95 mil casos notificados, já são considerados altos e preocupam as autoridades de Saúde. No País, já existem 500 mil Portadores. Minas Gerais ocupa a quarta posição em números de casos notificados com 6%, o equivalente a 6.131 casos, sendo 120 crianças, desde 1980 até o último dia 25. São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul lideram a lista com o maior número de portadores do vírus HIV notificados pelas secretarias de Saúde. Belo Horizonte ocupa a "quinta posição das cidades com mais portadores registrados pela Secretaria de Saúde com 2 950 notificações. A capital mineira perde para as cidades de São Paulo Rio de Janeiro, Santos e Porto Alegre.

 

ENTIDADE DENUNCIA DESCASO COM AIDETICOS

Fonte: Diário do Comércio

Data: 05/02/97

 

O presidente da ANAV (Associação Nacional de Amparo e Valorlzaçao da Vida), entidade filantrópica que acolhe pacientes de Aids carentes e abandonados pela família, Alvaro Gonçalves, acusa autoridades de saúde de Minas de omissão diante dos vários casos de doentes mentais que também são portadores do vírus HIV. Segundo ele, o portador de doença mental que contrai a Aids não vai contar com nenhuma assistência médica decente no Estado nem mesmo na capital.

Ele afirmou que é muito difícil cuidar de um deficiente mental portador de Aids e que a situação poderia ser melhorada se houvesse "vontade política" e que muitas obras sociais fecham suas portas por total falta de apoio.

 

Estoque do Coquetel está ameaçado

Fonte: Jornal do Brasil

Data: 01/02/97

 

O Ministério da Saúde suspeita que o coquetel de remédios contra a AIDS, distribuído gratuitamente pela rede de saúde pública, esteja sendo negociado em um mercado paralelo. A suspeita começou a ser levantada quando o Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids recebeu no início de janeiro pedidos dos estados de novas remessas de medicamentos. A previsão era de que os 10 mil coquetéis distribuídos em dezembro do ano passado, abastecessem os hospitais até março. As drogas que compõem o coquetel custaram R$ 50 milhões.-Os prejuízos não foram calculados. Os técnicos do programa observiram que não há controle na distribuição dos medicamentos pelas secretarias para os hospitais.

Vidda - O grupo Pela VIDDA do Estado do Rio que dá apoio a doentes de Aids culpa a subnotificação dos casos e a burocracia nas três esferas de poder pela crise na distribuição do coquetel. "0 Ministério da Saúde sabe muito bem que o número de doentes que precisam dos remédios é muito maior que a previsão feita pelo Programa", ,acusou ontem o coordenador executivo do grupo, Ézio Távora Filho.

Segundo Ézio Távora , o Ministério da Saúde previu o pagamento de apenas 1500 tratamentos para todo o Estado do Rio."Essa cifra é ridícula e, evidentemente o número de pessoas que se cadastraram e que ainda estão se cadastrando é muito maio. Com a ampla divulgação pela imprensa, muitas pessoas, cujos casos não haviam sido notifcados, se sentiram confiantes e se inscreveram no programa".

Ézlo Távora acha que as autoridades do Ministério da Saíide estão se precipitando ao falar em desvios de medicamentos: "Antes de lançar publicamente esse tipo de acusação é preciso investigar. Nós seríamos os primeiros a denunciar, caso soubessemos de alguma irregularidade.

Prescriçoes - Diversos equívocos na distribuição do coquetel contra a AIDS obrigaram a Secretaria de Saúde de Minas Gerais a mudar todo o esquema de liberação dos remédios para os doentes no estado. Segundo o Coordenador Estadual do Programa de Controle e Prevenção de DST/AIDS, Marco Antônio Ávila muitos médicos estavam prescrevendo o coquetel fora da indicação recomendada pelo Ministério da Saúde. Na esperança de receber mais medicamentos, muitos paicientes também se inscreviam em várias listas da Secretaria de Saúde. "Em um hospital, constatamos que 30% dos pacientes não precisavam dos coqueteis, havia um abuso, diz Marco Antônio.

Em São Paulo, o coordenador do Programa Estadual de DST/AIDS, Artur Kalichman, não acredita em fraudes na distribuição de medicamentos. "0 que houve foi a substimação da qauntidade de pacientes com direito a receber os remédios", comenta. Em novembro quando começaram a ser distribuídos os inibidores de protease, 3.600 pessoas se cadastraram para receber o medicamento. Hoje há pelo menos 7 mil cadastrados. Como cresceu este contingente? "Muita gente que se tratava em consultório particular, ou que trinha AIDS não procurava tratamento porque não acreditavam na eficiência dos remédios se cadastrou nos serviços de saúde quando a distribuição gratuita do coquetel começou", afirma Kallichmann

 

Uma década de Apoio ao Portador de HIV

Fonte: Hoje em Dia

Data: 31/01/97

 

Em sua maioria homossexuais e pessoas de poder aquisitivo mais elevado, eles foram os primeiros pacientes com Aids do Hospital Eduardo de Menezes, que em fevereiro completa dez anos de atendimento a portadores do HIV. Naquela época o preconceíto contra a doença era grande. A auxiliar de enfermagem Iolanda da Silva Marcelino conta que. para tratar dos doentes, médicos e enfermeiros vestiam capotes de proteção, estéril, cirúrgico, máscaras e três luvas.

A médica infectologista Luiza Vasconcelos Nascimento, que ' trabalhou com a primeira equipe de atendimento a portadores de Aids, disse que no início eram cinco médicos. "É claro que sabíamos as formas de contágio, mas havia receio", lembrou. Em fevereiro de 1986, quando começou a trabalhar com Aids o hospital tinha três leitos à disposição desses doentes. No final do ano eram 14. Maria Luíza disse que a primeira internação de paciente com Aids foi em 21 de fevereiro. de 1987.

No início o preconceito era grande e os funcionários discriminados pelas pessoas que moravam próximo ao hospital. "Eles evitavam entrar nos ônibus em que estávamos e às vezes éramos os únicos passageiros contou lolanda .

O médico especialista em medicina preventiva e infectologista Marcelo Araújo Campos trabalha no hospital há dois anos e há oito com pacientes com AIDS. "Houve uma pauperização da Aids, que passou também a atingir a namorada, a dona de casa, o pai de família, as pessoas de menor poder aquisitivo", explica. Marcelo Araújo Campos disse que no interior o comportamento com doentes de Aids não mudou. Os doentes são encaminhados para Belo Horizonte, mesmo tendo condições de tratamento na cidade. Nesta reportagem ele conta casos que podem ser comparados com os primeiros que chegaram no Eduardo de Menezes,

Atualmente, o Hospital Eduardo de Menezes tem 60 leitos para atendimento a portadores do HIV, que estão permanentemente ocupados. A ala de atendimento a soropositivos tem dez médicos, oito residentes e três estagiários de residência da Fundação Hospitalar de Minas Gerais.

São atendidos pacientes no ambulatório e no Hospital Dia, onde o doente é atendido e medicado e volta para casa. Os pacientes também são atendidos em casa por médicos do hospital. No ambulatório, aparecem de dois a três casos novos por dia da doença.

 

 

 

Interior ainda preconceituoso

 

Se o preconceito contra pessoas com Aids mudou em Belo Horizonte, o mesmo não aconteceu no interior. Caso recentes encaminhados do interior mostram esta situação. Num deles o próprio prefeito da cidade telefonou ao hospital Eduardo de Menezes encaminhando um paciente com exame anti-HIV positivo.

O médico infectoloçista Marcelo Araújo Campos contou que o paciente de 28 anos chegou numa ambulância da cidade e foi deixado na porta do hospital. Atendido. ele apresentou o exame. Disse que fez o exame para trabalhar em uma empresa. O exame físico foi normal e não havia sinais de doença ativa.

A assistente social do hospital telefonou para a prefeitura da cildade informando que estava mandando o paciente de volta. Ele estava bem e não precisava ficar internado, apenas ser atendido no ambulatório e para isto tinha sido marcada uma consulta.

A pessoa que atendeu o telefone ficou assustada. "Não está com Aids?. Como pode trabalhar? O doutor não falou que não pode? Vai ficar aqui contaminando todo mundo e -ainda sem se tratar? Aqui é cidade pequena, não tem recurso".

Vinte dias depois o paciente retornou ao hospital. O médico Marcelo Araújo Campos forneceu atestado de HIV positivo para que o paciente levasse à Previdência Social. Ele passou a receber auxílio doença e está usando antidepressivos. Quer morar em Belo Horizonte e não pensa em voltar para sua cidade. O paciente continua assintomático.

Uma moça parou o médico Marcelo Araújo no corredor do hospital com um atestado de óbito nas mãos e pediu que ele desse outro atestado, omitindo que o marido morreu de "SIDA" (Aids). Marcelo se negou a fazer o que a moça pediu. Ela insistiu, alegando que a cidade onde morava era muito pequena e que todos iriam saber.

Marcelo Araújo sugeriu que ela enterrasse o marido em Belo Horizonte, dando o endereço de parentes da capital. A moça nao concordou e continuou insistindo com todos os médicos que encontrava no corredor. Não conseguiu o que queria e foi embora.

 Coquetéis Antiretrovirais

 

Considerações

 

A era de tratamento do HIV com uma única droga (denominado monoterapia) acabou. No ano passado, o uso disseminado de combinações entre medicamentos novos e antigos mudou a perspectiva para ou doentes da AIDS, prometendo transformar uma infecção fatal em uma doença crônica controlável, embora tenha ficado assinalado que as drogas utilizadas não significam o fim da epidemia, em parte porque os países em desenvolvimento não poderão arcar com seus custos.

Há vários tipos de combinações (coquetéis) possíveis, muitos dos quais incluem as novas drogas inibidoras de protease. Todas podem reduzir a quantidade de HIV para abaixo dos níveis de detecção no sangue em até 18 meses, o tempo mais longo em que o coquetel foi testado.

Com uma terapia assim, alguns indivíduos saem da cama e muitos que estavam menos afetados pela doença estão levando uma vida normal.

Embora não se saiba exatamente quantas pessoas usam as terapias de combinação (com coquetel de drogas), estima-se que, entre os cerca de 750 mil infectados pelo HIV nos Estados Unidos, dezenas de milhares de pessoas estejam usando as novas terapias.

O novo coquetel parece ser a terapia mais poderosa desenvolvida na batalha de 16 anos contra a AIDS. Porém o tempo de experiências ainda é muito curto para que alguém saiba se os medicamentos vão perder sua eficácia.

O médico Ian Weller, de Londres, é cuidadoso: "Deveríamos estar cautelosamente otimistas, mas demos três passos adiante quando deveríamos ter dado apenas um em termos de que mensagens estamos dando para a comunidade. O resultado é que a expectativa de muitos pacientes estão muito altas.

Segundo pesquisadores, um ano de intenso tratamento com um coquetel de remédios não conseguiu eliminar totalmente o vírus causador da AIDS do organismo, mas apenas da corrente sangüínea. Os pesquisadores encontraram provas de que o vírus HIV permanece escondido nos nódulos linfáticos e células do sistema imunológico que são difíceis de serem testadas. . Ainda não há provas de que o vírus foi erradicado em qualquer dos pacientes. O preço deste tratamento, estimado em mais de US$ 1000,00 por mês deverá continuar o mesmo, pelo menos por mais um ano.

Há um ano, a grande revolução dos inibidores de protease estava sendo anunciada na 3 Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas. Este ano, os especialistas estão tomando uma dose pesada de realidade: é verdade que os remédios funcionam, algumas vezes milagrosamente, mas estão longe da perfeição. Um grande número de pacientes que começou a tomar o poderoso coquetel de drogas escolheu abandonar o tratamento, queixando-se dos efeitos colaterais e das dificuldades para seguir o programa de terapia. O coquetel geralmente provoca náuseas e anemia. Caso o paciente tenha doenças crônicas, como diabetes ou problemas cardíacos, os efeitos são imprevisíveis, podendo levar a complicações graves. O tratamento exige várias doses diárias. De 217 pacientes acompanhados em Baltimore, 20% disseram que deixaram de tomas todas as doses durante um dia inteiro ao menos uma vez por semana. Apenas 60% tomavam todas as doses diárias durante alguma semana.

No Brasil, O Ministério da Saúde estabeleceu critérios para a prescrição do coquetel em março de 1996, os quais foram publicados num Documento de Consenso sobre Terapia Antiretroviral em Adultos, porém ,ao contrário da literatura mundial, não considerou a carga viral como critério para se iniciar ou modificar o tratamento, mas apenas a contagem de células CD4, o fato do paciente ser virgem de tratamento ou ter feito tratamentos anteriores e a infecção ser sintomática (manifestando sintomas). ou assintomática (sem apresentar sintomas). O risco de não se levar em conta a carga viral do paciente, como foi apontado no último artigo "Carga Viral" é o de se protelar o tratamento para quando os níveis de vírus na corrente sanguínea forem tão altos que dificilmente se conseguirá mantê-los sob controle a tempo, aumentando-se a possibilidade de resistência às drogas e permitindo a deterioração rápida, e às vezes irreversível, do sistema imune dos pacientes. O consenso também limita o tipo de drogas utilizadas, atendo-se ao AZT combinado ao [ddI ou ddC ou 3TC] e em certos casos adicionando-se a esta combinação um inibidor de protease. Várias outras drogas têm sido usadas em outros países, como os inibidores de transcriptase reversa não nucleosídeos ( nevirapina) e a hidroxiuréia, (medicamento anticancerígeno que tem tido bons resultados quando associada ao ddI).

 

O grande debate

 

A mais recente, e talvez a melhor recomendação por parte de vários pesquisadores de ponta que se especializaram no campo da pesquisa para o tratamento do HIV é: "Ataque duramente, ataque precocemente". Isto significa controlar firmemente o HIV assim que possível, administrando combinações de antiretrovirais que fazem com que a carga viral caia a níveis indetectáveis.

Há fortes argumentos detrás desta recomendação, mas muitos clínicos e pessoas doentes pelo HIV continuam hesitantes. Não haveria debate se existisse um antiretroviral que detivesse o HIV sem efeitos colaterais. Mas até agora, toda combinação tem tido limitações e efeitos colaterais cujas implicações a longo prazo são desconhecidas.

Isto levou a um questionamento: Deveriam as pessoas seguir a nova recomendação e atacar o vírus tão severamente quanto possível imediatamente com drogas já disponíveis, ou seguir um curso menos rigoroso enquanto aguardam maiores informações e melhores drogas?

Vários estudos mostram que a maioria das pessoas pode agora reduzir a carga viral na sua corrente sangüínea a níveis que são indetectáveis pelos testes atualmente usados. Deveriam os médicos e os pacientes com HIV fazer tudo o que podem para alcançar este efeito? Para as pessoas com AIDS francamente manifesta a resposta é enfaticamente SIM! Esta é a única estratégia que pode prolongar a vida e prevenir infecções oportunistas. Infelizmente, não é todo mundo com AIDS que consegue baixar sua carga viral a níveis suficientemente baixos com as opções de drogas atualmente disponíveis. Para esta população, a esperança depende de combinações mais fortes que ainda estão sendo desenvolvidas.

Por outro lado, há pessoas infectadas pelo HIV para as quais "Ataque duramente, ataque precocemente" seria apenas uma de uma série de possibilidades. As combinações de antiretrovirais mais recentes são impressionantes, mas têm um tempo de seguimento curto. Em breve haverá muito maior conhecimento sobre o crescente arsenal de drogas em linha de pesquisa, de modo que para algumas pessoas pode ser uma boa idéia adiar o tratamento.

Independentemente do estado de saúde, é essencial para as pessoas que vivem com o HIV começarem a contender com decisões de tratamento, levando em conta as principais considerações: "O que devo tomar e quando?".

 

Ataque Duramente - Prós e Contras

 

Prós

 

A boa notícia é que o uso efetivo de combinações agressivas de drogas geralmente funciona, e funciona bem, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis na maioria das pessoas, e acredita-se que isto impeça danos futuros ao sistema imunológico. Há evidências de que pessoas que experimentaram reduções dramáticas na carga viral geralmente tiveram um acréscimo significativo na contagem de células T e menos infecções oportunistas do que as pessoas que usaram outros regimes terapêuticos menos agressivos.

Uma estratégia de tratamento tão agressiva trouxe outros benefícios a longo prazo. Mantendo-se uma carga viral baixa, pode-se evitar o problema de resistência às drogas. O HIV só consegue tornar-se resistente a combinações de drogas quando se reproduz em larga escala e sofre mutações. Por isto, reduzindo-se a carga viral a níveis extremamente baixos, o que significa que o vírus não está se reproduzindo rapidamente, pode-se ter certeza de que as drogas continuarão efetivas por mais tempo, talvez indefinidamente.

 

Contras

 

Em algumas pessoas o coquetel não funciona. Um regime terapêutico agressivo é semelhante a gastar-se a munição de uma só vez. Se ele não mantiver a carga viral sob controle, por qualquer motivo, ele tirará a chance de se usar esse tipo de drogas, e talvez alguns outros antiretrovirais mais tarde. Não há dúvida de que algumas pessoas têm medo de usar as combinações antiretrovirais mais poderosas, não deixando nada em reserva se elas não funcionarem.

Uma razão para se esperar até precisar usar uma combinação agressiva é a de se desconhecer se o uso destas drogas impossibilitará futuras opções. É possível que o se uso de um antiretroviral em particular agora, por exemplo, possa descartar a opção de usar outros mais tarde (talvez mesmo aqueles ainda por enquanto não disponíveis). Esperar por maiores informações antes de se usar uma combinação muito poderosa pode ser uma escolha sábia. Entretanto, esta estratégia de "Deixar Algo em Reserva" não é uma escolha que qualquer um pode fazer. Muitas pessoas já usaram tantos antiretrovirais que praticamente não sobram opções exceto a combinação agressiva. Algumas pessoas, porém, especialmente aquelas que nunca usaram um antiretroviral, podem ter a chance de tentar mais vezes. Por exemplo, o antiretroviral ddI + hidroxiuréia, ou a combinação de ddI + D4T podem reduzir a carga viral de algumas pessoas, deixando a combinação tripla de AZT+3TC+inibidor de protease ainda disponível para mais tarde. Mas para aquelas que já fizeram uso de várias drogas, ou cujas células CD4 estão tão baixas que não possam esperar, atacar muito duramente agora é a melhor opção.

Este fato leva-nos a duas regras de como atacar duramente.

Primeiro, se você estiver usando um antiretroviral ou uma combinação que possa não estar funcionando, não acrescente simplesmente uma outra medicação (um inibidor de protease, por exemplo) ao seu regime atual. Se as drogas anteriores não forem mais eficazes, então apenas a nova droga estará realmente atuando. Uma única droga, como explicado acima, provavelmente continuará eficaz apenas por um curto espaço de tempo até que surja uma cepa resistente. Ao invés de apenas adicionar uma nova droga, procure com o seu médico uma nova combinação que terá, de acordo com sua história antiretroviral, a melhor chance de diminuir a sua carga viral.

Segundo: tome essas combinações de acordo com o esquema. Com combinações agressivas, a idéia é manter a carga viral indetectável todo o tempo, com o objetivo de evitar a resistência a drogas. Nunca será demais enfatizar que doses faltosas podem levar o tratamento a falhar.

 

Quando Começar _ O Debate sobre "Ataque precocemente"

 

Para as pessoas que têm AIDS, ou com altos níveis de vírus em sua corrente sanguínea (acima de 20.000 ou 30.000 cópias) ou com menos de 300 linfócitos T, não se discute sobre quando começar a atacar duramente: a resposta é AGORA!

Para quaisquer outras, a decisão depende de muitos fatores. Há um grande número de argumentos para esperar. Um deles é que poderemos saber mais sobre tratamentos disponíveis a tempo. Esta é uma razão convincente para pessoas que não têm seu sistema imune muito danificado (especialmente aquelas com linfócitos T acima de 700, que não estejam diminuindo rapidamente, e baixa carga viral).

Um segundo argumento para esperar é o de que, se você está atualmente saudável, ao usar combinações fortes, o que geralmente implica em tomar montes de comprimidos, se sentirá mal devido aos efeitos colaterais. Esta perda da qualidade de vida pode ser um fator para se decidir esperar.

Um outro argumento para se aguardar é o de que, se uma combinação poderosa de drogas falhar, não haverá uma boa combinação disponível mais tarde, quando for realmente necessária. Por outro lado, alguns podem optar por não esperar, confiando no desenvolvimento de outras combinações eficazes e nas novas drogas que estão sendo pesquisadas agora.

Talvez o argumento mais importante para esperar seja o de que ainda é muito cedo para se conhecer a longa cadeia de efeitos ao se tomar combinações agressivas por vários anos.

O maior argumento para não se esperar é simples: enquanto você espera, o seu sistema imune pode continuar a deteriorar-se. Até agora não há nenhum meio seguro de se restaurar a função imunológica. Parece que quanto menor for o dano, mais fácil será restaurar-se o que se perdeu. Além disso, se você espera demais, sua carga viral pode alcançar níveis dos quais poderá ser muito difícil descer até níveis indetectáveis. Tenha em mente que pessoas com maiores níveis de carga viral levam um tempo muito maior para conseguir tê-la sob controle. "Atacar duramente" é o melhor meio de se evitar resistência e prolongar a eficácia das drogas antiretrovirais.

Esta difícil decisão será melhor tomada baseada na história individual, com a ajuda de um médico que conheça os tratamentos anteriores e saiba a melhor maneira de usar as combinações de drogas..

Mas o mais encorajador é que o debate vai poder continuar. Até recentemente ninguém sabia como conseguir manter a infecção pelo HIV sob rigoroso controle. O fato de agora podermos escolher o que tomar e quando começar é acima de tudo a melhor razão para termos a esperança de ainda consegui-lo.

 

Bibliografia:

1. Razões Para Se Ter Esperança - (Informações Sobre O Tratamento Do Hiv Acessíveis A Todos)

Grupo De Escritores Da Aids - Publicado Pelo Search For A Cure (Em Busca De Uma Cura)

Novembro 1996 Vol 2 N 3 - Tradução de Verena R. Minelli

  1. O Estado de São Paulo - 28/01/97 (Drogas Anti-AIDS podem restaurar o sistema imune)
  2. Jornal do Brasil - 25/01/97 (Coquetel contra a AIDS apresenta problemas)
  3. Jornal do Brasil - 24/01/97 (Coquetel eliminaria vírus da AIDS no sêmen)
  4. O Tempo - Rumo da AIDS com o coquetel de drogas
  5. O Tempo - 24/01/97 - Coquetel não elimina o HIV, diz o médio HO)
  6. Documento de Consenso sobre Terapia Antiretroviral em Adultos - Ministério da Saúde - março 1996

 

 

CARGA VIRAL

 

 

O que é:

 

É a quantidade de partículas virais que se encontra na corrente sangüínea. Embora os vírus se encontrem em outras partes do organismo, principalmente no sistema linfático, a quantidade de vírus no sangue é diretamente proporcional àquela encontrada em outras partes do corpo.

 

Como é medida:

 

É utilizada uma técnica de amplificação de pequenas quantidades de seqüências do RNA viral para níveis detectáveis, chamada "reação em cadeia por polimerase". A PCR pode replicar mais de 1 M de vezes o RNA do HIV em menos de 3 horas, e pode detectar até um único segmento de RNA presente em 10m l de sangue.

O RNA-PCR detecta o RNA viral livre ou associado às células. Seu limite de detecção é de 200 a 500 cópias/dl. São consideradas significativas as alterações de 3 a 4 vezes ou 0,5 log dos valores de base.

A versão do PCR da Roche foi aprovado nos Estados Unidos pelo FDA (órgão que regulamenta exames e medicamentos) em junho deste ano com o nome de Amplicor PCR HIV-1 Monitor.

 

Para que:

 

Originalmente, a Roche pediu pela aprovação do teste para fins de diagnóstico (para detectar simplesmente se alguém é soropositivo ou negativo para o HIV). Com o encorajamento do FDA, a empresa expandiu sua requisição no sentido de incluir aprovação para monitorização dos níveis plasmáticos de HIV com a finalidade de predizer a progressão da doença e medir a eficácia da terapia.

A quantificação da carga viral e a caracterização genética do vírus em replicação têm implicações importantes no desenvolvimento e na avaliação de drogas e estratégias de tratamento para o HIV. A questão mais controversa para os próximos anos é se a quantificação da carga viral ou a detecção de resistência a drogas podem ser incorporados na prática médica e no manejo de pacientes individuais. Há uma evidência de que modificações na carga viral constituem o marcador mais preciso da resposta a drogas e que a detecção de mutantes resistentes podem predizer o declínio clínico e imunológico. O desafio para os investigadores é como utilizar da melhor forma este novo instrumento, para determinar se modificações ou adições na terapia, iniciadas com base neste marcador , resultam num manejo mais eficaz da doença. Sabe-se previamente que a terapia combinada obtém maiores reduções na carga viral, levando a reduzir as taxas de replicação e diversificação viral, o que, por seu turno, retarda a emergência de resistência a drogas. Isto provavelmente resultará na prevenção tanto da destruição do sistema imune quanto da progressão da doença subsequente. Estudos preliminares in vitro evidenciaram que as combinações duplas de drogas anti-retrovirais são mais efetivas do que a monoterapia. Resultados in vivo de estudos clínicos comparando combinações duplas com monoterapia, entretanto, não foram tão impressionantes como esperado, e mostraram que a supressão da replicação

viral, mesmo com duas drogas, era incompleta. Evidências posteriores de estudos de sensibilidade in vitro sugerem que a combinação tripla é mais passível de ser eficaz.

O período de tempo entre uma mudança na carga viral ou no desenvolvimento de resistência a drogas e o declínio de células CD4 é relativamente curto. Nas terapias com análogos de nucleosídeos, um declínio de CD4 ocorre 3 a 6 meses após um aumento na carga viral ou o desenvolvimento de resistência. Nos estudos recentes com inibidores de proteases e inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeos, o desenvolvimento de resistência e o retorno ã carga viral inicial pode ocorrer 2 a 3 meses antes do declínio de CD4.

 

 

 

A carga viral nas diferentes fases da infecção:

 

Na infecção aguda pelo HIV ocorre grande viremia plasmática, que porém é transitória, ocorrendo dramática redução com o desaparecimento dos sintomas clínicos da infecção aguda (febre, linfadenopatia, hepatomegalia e faringite), seguindo-se o período de latência clínica. Provavelmente, grande parte dos vírus é destruída pelo sistema de imunidade celular, mas uma parte parece refugiar-se no sistema nonofagocitáriocelular, onde dá andamento aos próximos fenômenos de progressão da doença. Na maioria dos pacientes, a replicação do HIV-1 é rápida e eficientemente controlada após a explosão inicial da viremia. Esta resposta inclui a ação de linfócitos T citotóxicos CD8+ específicos para o HIV e de anticorpos capazes de se ligarem aos vírus.

Após a viremia plasmática inicial, os linfonodos ficam repletos de partículas virais, que só diminuem com as manifestações da AIDS, quando o linfonodo já está despovoado e a viremia plasmática aumenta progressivamente, atingindo níveis novamente semelhantes à infecção aguda.

Estudos sobre a evolução natural da AIDS mostram altas concentrações virais de 100.000 a 1M de cópias/dl durante a síndrome retroviral aguda., e queda rápida a 1.000 a 10.000 cópias/dl após a recuperação. Estes estudos também mostram que há uma relação inversa subsequente entre o n. de cópias e a contagem de células CD4.(pessoas com alta carga viral costumam ter baixa contagem de CD4 e as pessoas com alta contagem de CD4 têm baixa carga viral).

Quando o corpo não esconde os sintomas é sinal de que existem entre 10.200 e 100.000 vírus por gota de sangue.

Os níveis de HIV no sangue tende a mostrar-se transitoriamente diferentes em certas situações adversas (doenças agudas, infecções oportunísticas), e por isto a carga viral deve ser medida 1 mês após estas intercorrências.

Estudos mostraram que 75% das mães que transmitiram a infecção para os seus bebês tinham níveis superiores a 50.000 cópias/ml por ocasião do parto. Nenhuma gestante com níveis inferiores a 20.000 cópias/ml transmitiu a infecção. A conclusão do estudo foi que os níveis maternos de RNA-HIV-1 são altamente preditivos do risco de transmissão perinatal e sugere que determinados níveis virais no final da gravidez ou durante o parto estão associados tanto com o maior como com o menor risco de transmissão. Também sugere que o AZT exerce um efeito protetor maior ao reduzir os níveis de RNA-HIV-1 maternos antes do parto e que outras estratégias serão necessárias no futuro para prevenir a transmissão em mulheres com níveis virais altos ou ascendentes ou com vírus resistentes ao AZT.

A redução da carga viral para níveis indetectáveis pelo teste de carga viral não significa que o HIV esteja ausente do corpo, mas apenas que a quantidade de vírus foi reduzida abaixo de um limite puramente artificial estabelecido pela tecnologia. Não há evidências de que pessoas cuja carga viral seja indetectável não possam transmitir HIV, por exemplo. Os dados são também insuficientes para dizer quanto tempo demora para que o HIV torne a emergir apesar de um tratamento continuado com combinações de drogas potentes, ou quantas vezes isto pode ocorrer.

 

Sobreviventes a longo prazo (Long-term survivors):

 

A maioria dos estudos se concentram nos casos onde há progressão da doença e as conseqüências finais com o aparecimento da AIDS. Há, porém, uma situação onde o organismo parece conseguir controlar a infecção, ou seja, quando se obtém sucesso no combate ao vírus: é o grupo dos sobreviventes a longo prazo (long-term survivors), onde a infecção pelo HIV é documentada há mais de 8 anos (em alguns casos até 16 anos), sem que haja aparecimento de sintomas da doença e o sistema imunológico se mantém preservado, com contagens normais de linfócitos CD4. Há baixa carga viral, a estirpe do HIV apresenta baixa virulência e a resposta imunológica do indivíduo é mais eficaz.

 

A carga viral e o manejo clínico do paciente soropositivo para o HIV:

 

Infelizmente, a investigação da relação entre os níveis de HIV e a doença tem sido inadequada. É necessário que se delineie melhor o potencial dos testes de carga viral para estabelecer questões de estratégia terapêutica generalizada e para guiar decisões de tratamentos individuais. As opiniões divergem quanto ao ponto de partida para iniciar intervenção farmacológica, quando modificar a terapia e quais regimes têm os melhores índices terapêuticos e duração do efeito.

Especialistas eminentes dos USA, Europa e Austrália foram questionados pelo Treatment Issues. Eles tiveram opiniões divergentes sobre até que nível a carga viral deve cair antes que seus pacientes alcancem uma zona segura.

Eles geralmente escolhem dois nucleosídeos análogos como terapia de primeira linha em pacientes com carga viral relativamente baixa e alta contagem de CD4. Os inibidores da protease são adicionados apenas quando os pacientes começam a piorar ou têm níveis excepcionalmente altos de carga viral.

Especialistas eminentes dos USA, Europa e Austrália foram questionados pelo Treatment Issues. Eles tiveram opiniões divergentes sobre até que nível a carga viral deve cair antes que seus pacientes alcancem uma zona segura.

Eles geralmente escolhem dois nucleosídeos análogos como terapia de primeira linha em pacientes com carga viral relativamente baixa e alta contagem de CD4. Os inibidores da protease são adicionados apenas quando os pacientes começam a piorar ou têm níveis excepcionalmente altos de carga viral.

O início da terapia antiretroviral é recomendada a pacientes com células CD4 <200(Bihari), decréscimo consistente na contagem de CD4, CD4 < 500 cel/mm3, uma carga viral maior que 10.000 ou sintomas constitucionais ( Mayer). Quando o CD4 é menor do que 500 se a carga viral é maior que 10.000 ou quando o CD4 é maior do que 500 mas a carga viral que 100.000.( Volberding).

Um inibidor da protease é adicionado se o RNA HIV-1 inicial do paciente for maior que 100.000 (Hardy); se o RNA-HIV-1 é muito alto (> 100.000), o CD4 é muito baixo (< 100 ou com decréscimo superior a 200 células por ano), o paciente é sintomático ou se os dois análogos de nucleosídeos não abaixam o nível de RNA HIV menos do que 0,5 log. (Volberding)

A carga viral é comumente testada antes do início da terapia, 4 a 8 semanas depois do seu início e depois a cada 3 ou 4 meses.

Os pacientes com mais de 30.000 cópias estão em maior risco de progressão da doença. (Treatment Issues ).

No Brasil, o Documento de Consenso sobre Terapia Antiretroviral em Adultos, do Ministério da Saúde, de março de 1996 não incluiu o teste da carga como parâmetro da terapia nas diversas situações clínicas apresentadas, entretanto reconhece que a carga viral plasmática vem ganhando importância crescente como um muito valorizável marcador, tanto para predizer a progressão, como para monitorizar a resposta ao tratamento antiretroviral.

 

 

Verena R. Minelli

 

 

 

Referências Bibliográficas:

 

1. (Medline; HIV viral load quantification, HIV resitance and antiretroviral therapy - Katzenstein DA e Holodniy M - AIDS Clinical Rev, 1995-96, 277-303).Internet

2. Medline; Identification of levels of maternal HIV-1 RNA associated with risk of perinatal transmission. Effect of maternal zidovudine treatment on viral load. - Dickover RE et all. -JAMA, 275 : 8, 1996 Feb 28, 599-605). Internet

3. Lange JM - J Acquir Immune Defic Syndr Hum Retrovirol, 10 Suppl 1:1995, S77-82).

4. Issues Treatment - March 1996 volume 10, n. 3 - Gay Mens Health Crisis. Internet

5. SuperInteressante ano 10 n. 10 outubro 1996.

  1. AIDS na prática médica - V. Amato Neto - Editora Sarvier - S.P - 1996
  2. Tratamento clínico da infecção pelo HIV - Dr. John G. Bartlett - Três Editorial Ltda. - Cajamar, S.P. - 1996
  3. Documento de Consenso sobre Terapia Antiretroviral em Adultos - Ministério da Saúde - março de 1996
  4. Cadernos pela Vidda ano VI - n. 19 e 20